Como o jornalismo brasileiro absorveu a internet

May 31, 2005 on 10:18 am | In Uncategorized | 2 Comments

Ótimo artigo da amiga Nara Franco sobre blogs e jornalismo

RSS (e eu) no Estadão

May 30, 2005 on 11:30 am | In Uncategorized | 1 Comment

Foto de Fabio Motta, da Agência Estado, tirada para ilustrar meu depoimento sobre RSS na extensa matéria sobre o assunto publicada no caderno Link do Estadão de hoje.

Update: só agora consegui o link direto para a matéria;

Rede de confiança

May 26, 2005 on 7:24 pm | In Uncategorized | 1 Comment

Sempre que falamos sobre a influência dos blogs alguém questiona a confiabilidade das informações por eles divulgadas. De fato, é muito mais fácil escrever uma mentira em um blog do que em um jornal – entre outros motivos, porque seu emprego não está diretamente em jogo. Mas os escândalos do NY Times mostraram que até no ex-jornal mais respeitado do mundo é possível mentir. A diferença é que muita gente que acredita em tudo o que lê nos jornais não é tão crédula em relação à internet, embora já exista também uma grande parcela da população que confie mais em seus pares (cuja forma de expressão pode ser um blog) do que na imprensa, como vimos no estudo Trust MEdia, da Edelman.

Em uma edição recente do For Immediate Release, Hobson e Holtz (nunca lembro quem falou o quê) discutiram a aplicação do fenômeno The Long Tail aos blogs e concluiram que um blog não precisa ter milhares de leitores para ser influentes. Bastariam uns dez internautas capazes de replicar aquela informação – seja em outros blogs, seja no “mundo real” – para ela começar a se alastrar. Isso vale também para a confiança: eu não preciso que a internet como um todo acredite no que eu escrevo, mas se uma ou outra pessoa que confia em mim comentar o que eu escrevi em seu blog, quem confia nela passará a acreditar na notícia também, e assim sucessivamente – esta não é uma das características das redes sociais?

Vale às avessas também: se você chegou aqui agora e não tem a menor idéia de quem eu sou, mas viu o link para o estudo da Edelman ali em cima e sabe que eles são referência na área da comunicação online, blogs, PR etc, acaba transferindo parte dessa reputação para mim. Não que qualquer um não pudesse citar uma fonte respeitável, mas o fato de a internet permitir que cliquemos nos links para verificar a veracidade da informação original certamente ajuda. E olhe que ainda nem citamos os sistemas automatizados de reputação, como o que move o Slashdot ou o que deveria existir em qualquer site de avaliações de produtos e serviços – assunto para um outro post.

Por fim, fugindo um pouco do assunto, lembro uma prática muito comum nas escolas americanas – pelo menos na região onde minha tia mora, no estado de Nova Iorque: no início do ano os pais montam uma rede de comunicação em estilo “pirâmide”, usada para difundir informações para a escola toda rapidamente – em caso de suspensão das aulas por causa de uma nevasca, por exemplo. A escola avisa o pai do topo da pirâmide, que fica responsável por avisar outros dois, que entram em contato com mais quatro e assim por diante. Assim, cada pai só tem que dar dois telefonemas e logo a escola toda está avisada. A confiança nos blogs funciona mais ou menos assim: ninguém precisa confiar em toda a blogosfera, mas existe uma rede implícita que valida (ou não) as informações à medida em que se disseminam.

Como os jornalistas usam os blogs

May 25, 2005 on 7:05 pm | In Uncategorized | No Comments

Interessante relato do fórum sobre o tema promovido pela PR Newswire em São Francisco e trazido à nossa atenção pelo Micropersuasion. Aparentemente a conclusão é que as empresas de relações públicas devem se preocupar com os blogs porque a mídia convencional os está usando como fonte de informação e que as corporações em geral devem ter blogs para transmitir sua mensagem diretamente ao público, sem depender das publicações tradicionais. A questão da falta de confiança nos blogs ainda é um problema apontado com freqüencia.

The Long Tail

May 25, 2005 on 3:33 pm | In Uncategorized | 2 Comments

No fim do ano passado encontrei na Wired um magnífico texto de Chris Anderson sobre um fenômeno batizado de The Long Tail (O rabo comprido? Essas coisas nunca ficam bem em português!). De cara achei que devia ser assunto de um livro e fui procurar alguma referência sobre o assunto para acrescentar à minha monografia. Não havia, simplesemente porque Anderson havia acabado de começar a discutir o conceito. Esta semana descobri que o editor da Wired continuou suas divagações no blog The Long Tail – Um diário público a caminho de um livro. Ah, então haverá um livro, afinal! Vou tratar de reservar um exemplar.

Vamos tentar resumir o fascinante conceito em dois parágrafos: tradicionalmente as empresas concentram seus esforços apenas nos produtos que mais vendem. No caso de livros, aqueles poucos bestsellers que vendem centenas de milhares de exemplares. Quanto menos um livro vende, mais para o “fim da fila” ele vai. Não aparece nos jornais, não é encontrado nas livrarias, é como se não existisse. Mas isso é uma restrição do mundo físico. Na Internet, esse livro continua existindo. Sozinho ele vende pouco, mas combinado aos milhares de títulos em condições semelhantes, o potencial é maior que o dos best-sellers. A tecnologia permite que elementos relelegados ao “rabo comprido” movimentem negócios.

A Amazon cresceu porque podia ter esses livros em suas prateleiras virtuais. Os serviços de música online cresceram porque têm canções que nem existem nas lojas. O programa de links patrocinados do Google é um sucesso porque inclui “veículos” e anunciantes do fim da fila (na primeira reunião de acionistas do Google, o presidente Eric Smith definiu a missão da empresa como “serving the long tail”). Os blogs estão se fortalecendo pois conseguem agradar a nichos que a mídia tradicional é genérica demais para atingir. Seu poder está na diversidade. Poucos são os blogs que tem a audiência de um jornal, mas com 60 milhões de blogs no mundo, seu alcance combinado não pode mais ser desprezado. Os últimos serão os primeiros!

Marketing viral para legumes e discos rígidos

May 24, 2005 on 12:40 am | In Uncategorized | No Comments

Sim, eu sei que o marketing viral é muito mais que isso, mas de semana passada para cá vi dois exemplos tão bons que precisava dividir com meus dois leitores.

O primeiro veio de um pressrelease da Hitachi sobre a tecnologia de gravação perpendicular de seus futuros HDs que trazia uma animação hilária explicando a novidade. A turma do Engadget chegou a solicitar às agências de assessoria de imprensa que daqui para frente só enviem press releases como aquele. Eu achei tão legal que acabei escrevendo sobre a tecnologia (e citando o vídeo) no WNews, JB e FórumPCs. Funcionou!

O outro é o Store Wars, um vídeo também engraçado, mas nem tanto quanto o da Hitachi – embora muito mais gente vai entender e seja extremamente oportuno. Foi feito para a Associacão do Comércio Orgânico dos Estados Unidos e mostra a rebelião de legumes como Cucumber Skywalker e Chewbroccolli contra o Império dos Supermercados e seus alimentos geneticamente modificados e cobertos de agrotóxicos liderados por Darth Potato, um ser que é meio vegetal, meio químico. May the farm be with you, disse o mestre Yogurt!

Gravação perpendicular e o “complexo de esquilo”

May 23, 2005 on 5:52 pm | In colunas, forumpcs, hardware | No Comments

Meu quarto sempre foi entulhado de coisas que eu jamais usaria, mas tinha pena de jogar fora. Ainda hoje tenho centenas de caixinhas de balas Tic-Tac de laranja vazias, guardadas para uma instalação que pretendo construir algum dia. É o que alguns chamam de “complexo de esquilo”, uma mania de armazenar bagulhos como os pequenos roedores estocam nozes em suas tocas.

Mas essas loucuras sempre foram limtadas pelo espaço físico – invariavelmente chega a hora de arrumar a casa e muitas das preciosidades estocadas acabam indo embora. No mundo da tecnologia, no entanto, o complexo de esquilo pode ser praticamente ilimitado. Seu HD está lotado de programas, músicas, ou imagens de que você nem lembra mais? Compre um HD maior e siga em frente!

Com a capacidade dos discos rígidos crescendo exponencialmente ao longo das últimas duas décadas, o salto dos 20MB para 200GB (um aumento de 10 mil vezes) do meu primeiro PC para o atual nem impressiona mais. O que assusta é que estes 200GB estejam praticamente lotados, principalmente por fotos digitais e MP3 (a maioria ripados de CDs adquiridos legalmente, não me comprometam).

A saída, mais uma vez, será acrescentar um disco novo (ou substituir um dos velhos por outro de maior capacidade). Com modelos de 320 GB a menos de US$ 200 (lá fora), é um dos upgrades mais simples e baratos que se pode fazer em um PC. Mas e se o problema acontecer em um MP3 player? Compro um de maior capacidade, como o iPod de 60 GB!

E se esse dispositivo também for usado para fotos e vídeos, tornando os 60 GB insuficientes? Basta esperar a Apple lançar um maior, certo? Sim, mas isso quase não foi possível devido a uma limitação tecnológica chamada de efeito superparamagnético, que por muito pouco não paralisou o aumento de capacidade dos HDs miniatura usado em dispositivos portáteis.

O superparamagnetismo é um efeito observado quando os elementos magnéticos de um disco rígido se tornam tão pequenos que passam a influenciar uns aos outros, provocando a perda de dados. O problema foi previsto décadas atrás (o primeiro HD foi vendido em 1956), mas nunca se soube ao certo até onde seria possível encolher esses elementos antes que eles começassem a girar aleatoriamente.

Nos anos 1970 falou-se em uma densidade máxima de 25 megabits por polegada quadrada, uma estimativa absurdamente baixa. Hoje existem HDs com mais de 100 gigabits por polegada, mas alguns pesquisadores acreditam que seria muito difícil superar os 120 gigabits sem uma mudança radical na tecnologia empregada.

Esta mudança atende pelo nome de gravação perpendicular e vem sendo pesquisada a fundo desde 1976, embora seja conhecida desde o fim do Século XIX. Consiste em posicionar os bits de dados verticalmente em relação ao disco, enquanto a técnica atual (gravação longitudinal) os dispunha horizontalmente. Além de não interferirem uns nos outros, os bits passam a ocupar menos espaço, permitindo densidades muito mais altas.

A Hitachi foi a primeira a chamar a atenção da mídia para a gravação perpendicular. Demonstrou em março uma aplicação prática da tecnologia, atingindo uma densidade de 230 gigabits por polegada, e publicou um excelente relatório sobre o assunto, bem como a animação explicativa de onde capturamos a imagem acima. Está entre as coisas mais engraçadas que vimos na Internet nos últimos tempos, não deixe de assistir!

O chato é que enquanto a Hitachi contava vantagem e prometia produtos comerciais baseados em gravação perpendicular para 2007, a Toshiba passou a frente e lançou, no Japão, uma linha de MP3 players de alta capacidade (como o Gigabeat cor-de-rosa da foto abaixo) que usam HDs com gravação perpendicular. Mas não se preocupe – a teconologia logo, logo chegará a um eletrônico portátil perto de você!

Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição – Uso Não Comercial – Não a obras derivadas 2.0

Em francês, blog se escreve com “c”

May 23, 2005 on 3:48 pm | In Uncategorized | No Comments

Mantendo a tradição de repudiar palavras de origem estrangeira, os franceses agora têm sua própria versão para o termo weblog. Segundo Loic Le Meur, organizador do Les Blogs, evento que agitou Paris semanas atrás, o “Journer Officiel” determinou a tradução para Bloc Notes, ou simplesmente, Bloc, que de volta ao inglês seriam Note Pad e Pad. E em português, fica blog mesmo ou devemos adotar o “blogue” que muitos já usam?

Tutoriais sobre RSS e Podcasting

May 20, 2005 on 10:26 pm | In Uncategorized | No Comments

Autopromoção pura, mas como o assunto é relevante para os dois leitores deste blog, estão no ar os breves tutoriais sobre RSS e Podcasting que escrevi para o WNews, do portal Oi.

RSS vira polêmica interna na Microsoft

May 20, 2005 on 10:11 pm | In Uncategorized | No Comments

Amit Malhotra, do TheRSSWeblog, encontrou casualmente com Steve Ballmer, presidente da Microsoft, e fez algumas perguntas sobre RSS. Ballmer não foi lá muito entusiástico em relação à tecnologia e, na opinião de alguns, chegou a menosprezá-la. A notícia repercutiu mal na blogosfera e o blogueiro oficial da empresa, Robert Scoble, tratou de apontar o conteúdo da palestra de Phil Holden, da MSN, na Syndicate Conference, anteontem. Parece que Holden mencionou investimentos maciços da Microsoft em RSS. Ou Ballmer não sabe muito bem o que sua empresa anda fazendo, ou prefere que os concorrentes não saibam.

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