Notícia da BBC sobre o Congresso Mundial de Editores, da Associação Mundial de Jornais (WAN), dá conta de que a circulação dos jornais impressos cresceu 2,1% (a população mundial cresce perto de 1,7% ao ano, então isso não quer dizer grande coisa) em 2004, milagre que não acontecia há anos. Foram 395 milhões de jornais vendidos por dia, sendo quase um quarto deles na China, que lidera o ranking com 93,5 milhões de exemplares/dia, seguida pela Índia (78,8 milhões), Japão (70,4 milhões), Estados Unidos (48,3 milhões) e Alemanha (22,1 milhões).
O diretor da WAN está comemorando e credita a “renascença” ao sucesso de novos produtos, formatos e abordagens e à melhora na distribuição e no marketing. Eu, pessoalmente, duvido. Não tive acesso aos percentuais de crescimento por país nem tenho os dados do ano passado para comparar, mas aposto que o crescimento tem a ver com a recuperação da economia e com o avanço da China. Também não olho os números do IVC há tempos, mas aposto que aqui no Brasil os jornais continuam perdendo circulação.
A WAN também festejou o crescimento da audiência dos sites dos jornais, de 32% em 2004 e de 350% nos últimos cinco anos, e fez alertas sobre o crescimento dos jornais gratuitos, sites noticiosos, blogs e outras fontes alternativas de informação. Ora, se os jornais cresceram 2% e seus sites, 32%, pode-se dizer que os jornais online estão tomando espaço (em termos relativos) dos impressos, não? O que dizer então dos sites independentes dos veículos tradicionais?
Aproveito o gancho para linkar para um polêmico post de Peter Shankman, do PR. Differently. Peter previu que no segundo semestre de 2007 um primeiro grande jornal irá morrer, vítima da convergência de blogs, podcasts e afins. Segundo ele, será alguém do porte de um NYT ou WSJ, que seria substituído por uma versão exclusivamente online ou em papel digital. Vamos esperar e ver…