Um manifesto pela reutilização da memória flash
Recebi, há umas duas semanas, um e-mail do site da Sony anunciando o lançamento de uma nova linha de aparelhos de som para automóveis. Apesar de não ligar muito para o assunto, me chamou a atenção o MEX-1GPX. Além de reproduzir MP3 e WMA, coisa que todo CD player atual deveria fazer, o modelo tem 1 GB de memória flash embutido na frente destacável, batizada de Gigapanel. Esta conta, ainda, com um conector USB que permite plugá-la direto ao computador para transferir músicas. Legal, né?

Nem tanto. Eu já tenho um produto da Sony com 1 GB de memória flash: meu PSP, em que uso um cartão Memory Stick Duo para guardar músicas e filmes, principalmente durante viagens. Se eu tivesse uma câmera digital da Sony, provavelmente teria um outro cartão desses (ou um Memory Stick “normal”) nela. E se não resisitr à tentação e comprar o K790i, celular de 3,2 megapixels da SonyEricsson, precisarei de um Memory Stick Micro (M2) de boa capacidade.
Já deu para entender aonde quero chegar? Como se não fosse ruim o suficiente a Sony ter inventado um formato proprietário de memória removível de que ninguém precisava e já ter subdividido o formato em três, agora resolveu lançar produtos com memória interna não removível. O som automotivo é o mais recente, mas o fenômeno vem de longa data, observado na imensa maioria dos MP3 players do mercado (de todos os fabricantes, é verdade).
Luz no fim do túnel?
Felizmente, o preço da memória flash vem caindo muito - aqui mesmo, no Brasil, já se compram SDs e CompactFlash de 1 GB por menos de R$ 100 (vendi meu primeiro, usado, por quatro vezes isso há um par de anos). Não fosse isso, ficaria bem mais revoltado em ter que comprar memórias diferentes para cada gadget e ainda pagar (o MEX-1GPX custa o dobro que quase todos os outros sons automotivos da Sony) pela que vem embutida em um aparelho que poderia perfeitamente contar com um leitor de cartões. Ainda que fosse do “padrão” Memory Stick!
Pelo menos quando o assunto é “pen-drive” ainda dá para escapar do desperdício de memória promovido pelos fabricantes. Sempre usei os próprios cartões de memória das câmeras digitais para levar arquivos de um lugar para o outro, mas isso exigia que eu carregasse comigo um leitor de cartões ou mantivesse um em casa e outro no trabalho. Minha namorada aprendeu a fazer o mesmo, mas se valendo do MobileMate, da Sandisk, um leitor de SDs e outros formatos menores extremamente compacto, praticamente do tamanho de um pendrive.

Agora, quando encomendei um SD de 1GB para minha digital compacta, aproveitei para dar um passo adiante: escolhi um cartão da linha SD + USB, da mesma Sandisk. Trata-se de um engenhoso SD Ultra 2 (aqueles mais rápidos, algo essencial para se transferir grandes volumes de dados) com um conector USB embutido. Basta dobrar para trás parte da metade em que ficam os contatos elétricos e espetar o cartão no computador, sem necessidade de leitores ou adaptadores. Engenhoso, não? Pena que não seja sempre assim.

Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição - Uso Não Comercial - Não a obras derivadas 2.0






