Archive for October, 2006

Um manifesto pela reutilização da memória flash

Recebi, há umas duas semanas, um e-mail do site da Sony anunciando o lançamento de uma nova linha de aparelhos de som para automóveis. Apesar de não ligar muito para o assunto, me chamou a atenção o MEX-1GPX. Além de reproduzir MP3 e WMA, coisa que todo CD player atual deveria fazer, o modelo tem 1 GB de memória flash embutido na frente destacável, batizada de Gigapanel. Esta conta, ainda, com um conector USB que permite plugá-la direto ao computador para transferir músicas. Legal, né?

Nem tanto. Eu já tenho um produto da Sony com 1 GB de memória flash: meu PSP, em que uso um cartão Memory Stick Duo para guardar músicas e filmes, principalmente durante viagens. Se eu tivesse uma câmera digital da Sony, provavelmente teria um outro cartão desses (ou um Memory Stick “normal”) nela. E se não resisitr à tentação e comprar o K790i, celular de 3,2 megapixels da SonyEricsson, precisarei de um Memory Stick Micro (M2) de boa capacidade.

Já deu para entender aonde quero chegar? Como se não fosse ruim o suficiente a Sony ter inventado um formato proprietário de memória removível de que ninguém precisava e já ter subdividido o formato em três, agora resolveu lançar produtos com memória interna não removível. O som automotivo é o mais recente, mas o fenômeno vem de longa data, observado na imensa maioria dos MP3 players do mercado (de todos os fabricantes, é verdade).

Luz no fim do túnel?

Felizmente, o preço da memória flash vem caindo muito - aqui mesmo, no Brasil, já se compram SDs e CompactFlash de 1 GB por menos de R$ 100 (vendi meu primeiro, usado, por quatro vezes isso há um par de anos). Não fosse isso, ficaria bem mais revoltado em ter que comprar memórias diferentes para cada gadget e ainda pagar (o MEX-1GPX custa o dobro que quase todos os outros sons automotivos da Sony) pela que vem embutida em um aparelho que poderia perfeitamente contar com um leitor de cartões. Ainda que fosse do “padrão” Memory Stick!

Pelo menos quando o assunto é “pen-drive” ainda dá para escapar do desperdício de memória promovido pelos fabricantes. Sempre usei os próprios cartões de memória das câmeras digitais para levar arquivos de um lugar para o outro, mas isso exigia que eu carregasse comigo um leitor de cartões ou mantivesse um em casa e outro no trabalho. Minha namorada aprendeu a fazer o mesmo, mas se valendo do MobileMate, da Sandisk, um leitor de SDs e outros formatos menores extremamente compacto, praticamente do tamanho de um pendrive.

Agora, quando encomendei um SD de 1GB para minha digital compacta, aproveitei para dar um passo adiante: escolhi um cartão da linha SD + USB, da mesma Sandisk. Trata-se de um engenhoso SD Ultra 2 (aqueles mais rápidos, algo essencial para se transferir grandes volumes de dados) com um conector USB embutido. Basta dobrar para trás parte da metade em que ficam os contatos elétricos e espetar o cartão no computador, sem necessidade de leitores ou adaptadores. Engenhoso, não? Pena que não seja sempre assim.

Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição - Uso Não Comercial - Não a obras derivadas 2.0

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De que é feita a sua câmera?

Há exatamente um mês, o TechGuru noticiou que a Olympus havia apresentado uma câmera digital com corpo de madeira. O protótipo exibido na Photokina era feito de cipreste, madeira rara usada em templos japoneses, prensada por uma técnica especial que contribuiria para deixar a máquina mais resistente – além de muito bonita. Pena que ainda não há previsão de preço ou lançamento.

Leia a coluna completa no WNews

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Canon Elph: dez anos de um conceito vencedor

“Quando você dá a alguém um pedaço de papel e pede que desenhem uma câmera, as pessoas fazem um retângulo e um círculo. Esta é a mais simples, mais icônica imagem de uma câmera que existe em nossa mente.” Dito assim, parece óbvio, mas foi esta sacada do designer japonês Yasushi Shiotani que deu origem a uma das mais características e bem sucedidas linhas de câmeras da história recente: a Canon Elph.

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Sensacional: vôo virtual em aviões de verdade

Semana passada, recebi de um colega de uma lista de discussão sobre cibercultura um par de links para vídeos da versão francesa do YouTube Google Video que mostravam a visão do piloto de um pequeno avião dando rasantes sobre campos de golfe e parques canadenses. Depois, achei até um de um sobrevôo do circuito de F1 de Montreal, gravado dias antes do Grande Prêmio deste ano.

Apesar da qualidade apenas razoável e das musiquinhas instrumentais nem sempre bem escolhidas, os vídeos transmitem uma sensação que deve ser bem próxima à de voar de verdade num ultraleve ou coisa parecida, pois foram gravados do ponto de vista do piloto, mostrando o que ele estaria vendo em qualquer direção que olhasse, como num simulador de vôo. Poderiam ter sido capturados por uma câmera montada no capacete do piloto, mas não foram. Porque não havia piloto a bordo!

A grande graça da brincadeira é que tudo isso foi gravado de um aeromodelo pilotado, via controle remoto, por um sujeito engenhoso usando óculos de realidade virtual. Um giroscópio sobre os óculos controla os movimentos de uma câmera montada no cockpit do avião, permitindo que o piloto veja o que se passa ao redor do aeromodelo enquanto voa com os pés no chão.

O hobby existe há pelo menos uma década é usa tecnologia relativamente simples e barata - o aparato todo sai por menos de US$ 1000, sem contar o avião. O autor do vídeo explica o que usou em um fórum de discussão sobre aeromodelismo e tem fotos de outras de suas criações em um site pessoal bastante desatualizado. Lá, descobrimos que a brincadeira começou em carrinhos de controle remoto, como o usado neste outro vídeo.

Alguns comentários no YouTube Google Video e no tal fórum de aeromodelismo dizem que a única novidade em tudo isso foi o cara ter divulgado as imagens no YouTube, já que muita gente teria feito coisa melhor antes. Mas, para quem não conhecia, como eu ou os outros comentaristas que ficaram doidos para comprar um brinquedo igual, a sensação é de fascínio total!

Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição - Uso Não Comercial - Não a obras derivadas 2.0

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Quatro novas opções para descarregar fotos digitais

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Insatisfação com as pesquisas de satisfação

Período de eleições é sempre hora de alguém falar mal de pesquisas, não é? Mas, pelo menos aqui, o assunto não são as pesquisas eleitorais, e sim os levantamentos de satisfação que algumas grandes marcas do segmento de tecnologia gostam de fazer com seus clientes. Esta semana fomos “vítimas” de duas pesquisas tão peculiares que viraram assunto desta coluna.

O primeiro episódio começou com um banner da Samsung em um outro site. Interessado na TV de LCD anunciada, cliquei no dito cujo e fui parar no site da marca coreana. A TV estava lá, em todo o seu esplendor, mas sem menção ao preço ou aos contatos das lojas que oferecem o produto. A Samsung comprou minha atenção, converteu minha atenção em uma ação (o clique) e depois jogou fora o cliente em potencial.

Revoltado com o mau-uso da publicidade on-line, tratei de clicar no “não” da pesquisa de satisfação que perguntava, ao pé da página, se as informações ali encontradas me haviam sido úteis. Questionado se desejava enviar comentários, respondi que sim e fui levado à página abaixo, com um questionário de satisfação mais completo.

Estava eu respondendo cada um dos itens quando me deparei com a seguinte pergunta: “Visual e o designer do site são agradáveis?” DESIGNER? Como eu vou saber se a pessoa que desenhou o site é agradável? Será que eles estavam falando do DESIGN? Inacreditável! Tudo bem, é um detalhe que quem não fala inglês tem todo o direito de ignorar, mas nunca a área de comunicação da Samsung.

Acabei reclamando também dessa confusão entre design (o desenho do site) e designer (o profissional da área de design) no campo de comentários (sim, eu sou um consumidor chato). Hoje, ao voltar ao site para capturar a tela, vi que a página da TV ganhou um botão “onde comprar” que aponta para uma listagem de lojas do Buscapé. Muito bem! Mas a pergunta sobre o “designer” continua lá.

Quando achamos que não pode piorar…
A outra história da semana tem como protagonista a HP, que me enviou ontem um e-mail convidando a participar de uma pesquisa sobre o serviço de suporte de seus produtos. A empresa sempre demonstrou se preocupar muito com a opinião dos clientes, já que volta e meia abre um pop-up pedindo que avaliemos seu site enquanto estamos navegando. Como bom cliente chato, cliquei no link para responder à pesquisa.

Depois de escolher o idioma, dei de cara com a tela abaixo, com a mensagem “Clique no botão PRÓXIMO para continuar ou no botão VOLTAR para mudar o idioma.” Próximo? Voltar? Os botões só trazem setinhas para os lados. Ah, mas qualquer um sabe que, nas sociedades que escrevem da esquerda para a direita, a seta para a direita indica “próximo” e a para a esquerda, “anterior”, certo? Tudo bem. Por que diabos, então, colocaram o botão “próximo” do lado esquerdo da tela e o “voltar” do lado direito?

Segui em frente. Na próxima tela, precisei escolher qual tipo de produto HP eu possuo. Apesar de já ter testado uma infinidade de produtos da marca, acho que o único que eu registrei foi o meu notebook Compaq (momento de propaganda descarada: o mesmo notebook que está à venda lá nos classificados). Eu deveria marcar “Compaq Presario Notebook PC”, então. Mas qual dos dois? Repare, na tela abaixo, que justo o meu notebook aparece repetido na lista…

Depois de mais umas cinco telas de perguntinhas simples, cheguei à página de instruções da imagem abaixo. Ih… a pesquisa está ficando complexa. Dá vontade de desistir. Já que havia chegado até aqui, melhor continuar. Fiz uma leitura dinâmica das instruções e mandei continuar.

Aí está o porquê das instruções. Nas próximas 19 telas da pesquisa, que já são tão mal desenhadas que se tivessem chegado por e-mail eu diria tratar-se de um phishing mal feito, precisamos ler o conteúdo de 32 caixas de texto (por tela) para escolher quais seriam nossas primeira e segunda opções ideais de suporte.

Aguentei ler as da primeira tela, mas na segunda (acima) comecei a me sentir explorado. Não vou ler mais de 600 textos para melhorar o suporte da HP. Geralmente, quando uma grande empresa pede aos seus consumidores que respondam questionários tão extensos, pelo menos oferece um brinde ou a chance de concorrer a algum prêmio.

Sem nenhum incentivo, duvido que alguém responda seriamente a pesquisa inteira. Claro, eu poderia ter marcado qualquer coisa para acabar logo, mas minhas informações seriam menos valiosas para a HP do que se eu nem tivesse respondido nada. Acabei optando por responder o e-mail original - o que me convidou a participar da pesquisa - escrevendo mais ou menos o que acabei de dizer aqui.

Acho que assim terei sido mais útil à HP. Isso se a tal de Harris Interactive, uma multinacional especializada em pesquisa de mercado, com faturamento anual superior a US$ 200 milhões, contratada pela HP para fazer esta pesquisa, tiver designado pelo menos um de seus mil funcionários para responder os e-mails que recebe de nós, humildes ratinhos de laboratório. Se responderem, eu conto para vocês!

Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição - Uso Não Comercial - Não a obras derivadas 2.0

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Digitais de gente grande, de 22 a 1.480 megapixels

Nossa lista de colunas sobre lançamentos ocorridos antes e durante a feira alemã Photokina continua crescendo – tanto em quantidade quanto na capacidade (e preço) dos produtos. Depois de falarmos sobre o evento em si e as compactas da Olympus, a primeira leva de lançamentos da Nikon e Canon, produtos da Pentax, Sony e mais novidades da Olympus e Canon e as fantásticas câmeras da Leica, chegou a hora de falar daquelas câmeras que provavelmente nenhum de nós pensará em comprar.

Leia a coluna completa no WNews

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Foto-recordes: câmera de 1,5 gigapixels e lente de 250kg!

A edição deste ano da feira alemã Photokina, evento bienal para o qual os maiores nomes da fotografia guardam suas melhores novidades, registrou, nos últimos dias, dois recordes para lá de impressionantes (para quem quiser saber mais sobre a feira, os lançamentos menos bombásticos já foram assunto de várias de minhas colunas sobre fotografia digital no WNews).

Primeiro a marca suíça Seitz, especializada em fotografia panorâmica, apresentou um sensor “scanner” com 7,5 mil pixels de resolução vertical. Parece pouco, mas multiplicado pelo número de colunas (escaneadas sequencialmente) da câmera 6×17 anunciada junto com o sensor, resulta na impressionante resolução de 160 megapixels!

Não satisfeita, a empresa também colocou a novidade na Roundshot, uma câmera giratória, para captura de fotos em 360 graus. Nela, a resolução varia, de acordo com a lente escolhida, entre 142 e 1.480 megapixels. Isso mesmo: quase um bilhão e meio de pixels! Curioso para saber o preço? Pouco menos de 30 mil euros cada, sem lentes. Para armazenar as fotos, que chegam a pesar quase 3 GB cada, o fabricante recomenda plugar a câmera direto num Mac Mini.

O produto mais espantosos da Photokina, porém, foi uma lente que a Zeiss expôs, pendurada em seu estande. Com distância focal de 1.700mm, abertura máxima de f/4, aparência de um torpedo e pesando 250kg, a superultramegateleobjetiva é a maior (em tamanho e alcance) lente já produzida para uso civil. Mais especificamente, para fotografar passarinhos e afins.

A Zeiss Apo Sonnar T* 4/1700 é uma peça única no mundo, feita sob encomenda para um cliente para lá de exigente (e rico), que gosta muito de fotografar animais selvagens. Antes de entregar sua obra-prima, no entanto, a Zeiss pediu para expor a dita cuja na Photokina.

A lente já vem montada em um câmera Hasselblad de médio formato - coisa de profissional mesmo - e exigiu o desenvolvimento de sistemas de foco e direcionamento motorizados que até então só existiam em telescópios para aguentar o peso dos componentes. Segundo a Zeiss, alguns dos blocos de vidro usados para fazer cada um dos 15 elementos óticos pesavam mais de 25 quilos e custaram, antes de serem moldados, “o preço de um sedã de luxo” cada. O preço total da lente, ninguém sabe.

A fábrica também não revela a identidade do comprador, mas o site especializado DPreview divulgou que as inscrições em árabe e o selo na lateral da lente são do Estado de Qatar, o que leva a crer que o futuro dono desta maravilha da engenharia ótica deve ser parente do Sheikh Hamad bin Khalifa, governante daquele emirado.

Uma península que avança 160 km adentro no Golfo Pérsico, a partir da pequena fronteira com a Árábia Saudita, o Qatar acaba de se tornar o último lugar que a Daniela Cicarelli deve escolher para ir à praia com o namorado. Equipado com sua monstruosidade Zeiss, o paparazzo real tem tudo para acabar com a privacidade de toda e qualquer “vida selvagem” do país.

Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição - Uso Não Comercial - Não a obras derivadas 2.0

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