Na era da atenção, RAM é cem vezes mais barata que HD
December 4, 2006 on 5:59 pm | In Uncategorized, colunas, forumpcs, google, hardware, midia | No CommentsNão, eu não me enganei no título nem você leu errado. Memória RAM é, sim, cem vezes mais barata que disco rígido – pelo menos pela brilhante lógica do Google. As contas estão na mesma matéria da revista Wired que citei na coluna da semana passada, sobre as necessidades energéticas do gigante da busca, e fazem todo o sentido.
Duvida? Segundo o texto, o preço por megabyte da memória RAM é cem vezes mais alto que o do HD (por isso você achou que eu tinha me enganado no título). Por outro lado, a memória é 10 mil vezes mais rápida que o disco. Logo, se levarmos em consideração o fator “tempo de acesso”, a RAM é mesmo cem vezes mais barata.
Entender qual o recurso mais valioso num dado momento é uma capacidade estratégica importantíssima. O tempo, ou, melhor dizendo, o tempo de atenção do usuário, é um recurso que, como eu já havia estudado na minha monografia da faculdade, é o mais escasso da nossa era econômica.
O psicólogo Herbert Simon já dizia, em 1971: “O que a informação consome é bastante óbvio: ela consome a atenção do receptor. Portanto, uma riqueza de informação cria uma pobreza de atenção e uma necessidade de alocar essa atenção eficientemente diante da superabundância de de fontes de informação que poderiam consumi-la.” (Computers, Communications and the Public Interest, pp 40-41, Martin Greenberger, ed., The Johns Hopkins Press, 1971.)
Dizer que vivemos na Era da Informação não é economicamente correto. As eras econômicas sempre foram definidas pelos recursos escassos, já que é neles que está o valor. Primeiro foram as terras, depois o dinheiro, agora a atenção. Vivemos, portanto, na Era da Atenção, e não da Informação. É por isso que as ferramentas de busca valem tanto: elas economizam nossa atenção, direcionando-nos diretamente à informação que procuramos. Metade do sucesso do Google deve-se a isso.
O restante do mérito do Google teria sido, então, perceber o valor da agilidade para seus serviços e investir em muita, mas muita memória RAM para agilizar o acesso aos dados de seus gigantescos índices. Em um cenário de dinheiro farto (a empresa tem bilhões de dólares em caixa), faz sentido gastar fortunas em RAM para economizar tempo.
As estimativas da Wired dizem que o Google teria cerca de 450 mil servidores em uma dúzia de datacenters espalhados pelo mundo. No total, essas máquinas usariam inimagináveis 4 petabytes (milhares de terabytes, ou 10 elevado à décima-quinta potência) de RAM. Isso mesmo: 4.000.000.000.000.000 bytes de memória! E olha que nem é tanto assim, já que a capacidade em disco do Golias das Buscas seria de 200 petabytes. E o Paulo achava que os 2,6 terabytes que tem em casa eram muito…
Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição – Uso Não Comercial – Não a obras derivadas 2.0
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