Carro elétrico com ultracapacitor chega ao mercado este ano
Semana passada, a coluna sobre microturbinas marcou nosso retorno ao tema “energia alternativa”, já abordado aqui nas colunas sobre células combustíveis, microgeradores, supercapacitores, capacitores de plástico e sobre o Tesla Roadster, o carro elétrico com baterias de notebook.
Prometemos continuar o assunto falando de uma possível primeira aplicação prática dos supercapacitores apresentada numa matéria no site da revista Technology Review. Também chamados, desde sua invenção na ficção científica, de “batacitores”, esses mistos de baterias e capacitores seriam capazes de armazenar e fornecer rapidamente grandes quantidades de energia.
A tal primeira aplicação real da tecnologia pode ser no ZENN, o feioso carrinho de dois lugares da foto abaixo. Fabricado no Canadá pela empresa homônima, o ZENN - sigla de Zero Emission, No Noise (zero emissão, nenhum ruído) é um veículo elétrico urbano ecologicamente correto. Quase como um daqueles carrinhos de golfe em versão de luxo, “street-ready”.

Com velocidade máxima limitada a apenas 40km/h (para se enquadrar nas normas norte-americanas para este tipo de veículo) e autonomia de menos de 60 km, o carrinho está longe de ser um concorrente para o superesportivo Tesla Roadster. Mas pode, em tese, substituir os carros de passeio atuais em muitas situações e acabar disputando com os veículos da Tesla Motors (mais com o sedã “White Star”, que a empresa começará a produzir nos Estados Unidos, nos próximos anos, do que com o Roadster) o título de primeiro carro elétrico comercialmente viável a ganhar as ruas.
O que mais nos interessa, no entanto, é que a versão do ZENN que o fabricante prometeu lançar ainda este ano guardará energia não numa bateria, mas num ultracapacitor de titanato de bário (seja lá o que isso for, se é que eu traduzi direito) produzido pela americana EEStor.
A empresa, uma startup texana que tentou se manter em segredo enquanto pôde, começou a mostrar a cara este mês, ao comunicar ao mercado que sua linha de montagem automatizada estava pronta para fornecer os compostos químicos necessários para a “EESU” (Electric Storage Unit) exclusiva da ZENN no mercado de veículos de até 15KW e 1200 kg. O press-release está no site da ZENN porque nem isso a EEStor tem!
Os comentários de supostos especialistas no assunto em blogs e matérias sobre a tecnologia da EEStor levam a crer que o que a promessa da empresa - o tal ultracapacitor de titanato de bário, capaz de ser recarregado em minutos, entregar dez vezes a potência de uma bateria de mesmo peso pela metade do preço e durar até um milhão de ciclos - tudo sem componentes tóxicos - seria impossível de realizar. Mas há um dado que pode indicar o contrário.
Embora pouco se saiba sobre a EEStor, a Business Week revelou, em setembro passado, que a empresa recebeu um aporte de US$ 3 milhões do fundo de investimentos Kleiner Perkins Caufield & Byers, famoso por suas apostas em empresas como AOL, Netscape, Amazon e Google quando elas ainda não valiam nada. Junte-se a isso o fato de a empresa ser capitaneada por ex-executivos dos laboratórios de pesquisa avançada da IBM e da Xerox e a gente começa a querer acreditar em qualquer coisa que eles digam. O tempo dirá quem estava certo…
Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição - Uso Não Comercial - Não a obras derivadas 2.0

