Que os PDAs descansem em paz. O futuro é do smartphone

January 15, 2007 on 7:48 am | In GPS, celular, colunas, forumpcs, gadgets, mercado, viagem, wireless | No Comments

Sou usuário de computadores de mão há bastante tempo. Tive um Jornada, da HP, na época em que eles se chamavam Handheld PCs e rodavam Windows CE 2.0. Depois tive um Palm IIIxe, um Vx, um iPaq, e um Toshiba e755. Apesar da variedade de modelos, no entanto, poucos foram os que usei regularmente. O mais comum era recorrer a eles apenas em viagens e para jogar durante aulas e reuniões chatas, mas na maior parte do tempo eles ficavam mesmo é encostados.

Na última destas viagens, sem nenhum PDA para levar, já que vendera o Toshiba quando comprei o notebook, decidi confiar neste último e me arrependi amargamente. Tirar o bicho da mochila e esperar ele ligar e carregar o programa era uma trabalheira bem maior do que sacar um Palm do bolso. Decidi, um tanto tardiamente, comprar um computador de mão novo. E que deveria ser um smartphone, já que estava mesmo querendo trocar meu celular pessoal.

Pesquisei os modelos mais falados e descartei logo os Treos, pois apesar de gostar do visual do 680, os dias que passei com um 650 num evento não me convenceram de sua utilidade. Aliás, omiti da lista lá do primeiro parágrafo o Treo 270 que usei durante uns meses e acabei passando adiante. Simpatizo com o mundo Palm como simpatizo com o do Linux, mas acho que me dou melhor com os PDAs baseados em Windows (CE, Mobile, whatever).

Considerei os Nokia (inclusive o E62 que a Elis avaliou), o Motorola “Q”, o Samsung Blackjack e outros igualmente elegantes, mas acabei optando por mais um iPaq, da HP, da mesma série que o Xandó testou recentemente. Alguns cliques na Amazon.com e, no dia seguinte, eu era o mais novo proprietário de um iPaq 6945. Não vou falar dele aqui porque o Xandó já o fez com bastante propriedade, mas afirmo que também aprovei o brinquedinho.

O fato de o aparelho ter WiFi e GPS (e rodar o PocketStreets, versão compacta do Microsoft Streets & Trips que já me havia guiado na viagem pelo Canadá) foram decisivos, principalmente para quem usa PDA principalmente quanto está viajando. O fato de poder comprá-lo desbloqueado, livre de compromissos com operadoras (que, estando nos Estados Unidos, eu nem poderia assumir), também.

O mais interessante dessa história é que, antes de encomendar na Amazon, eu bem que tentei encontrar um smartphone desbloqueado para comprar em algumas lojas físicas. Nas grandes lojas era impossível. Sem encontrar iPaqs nas vitrines das operadoras celulares, entretanto, decidi perguntar por Palms e afins a uma vendedora. Fiquei constrangido quando, depois de me questionar, espantada, se eu queria um PDA “sem celular”, ela pediu ajuda a um colega que me apontou dois míseros Palms – um TX e um LifeDrive – empoeirados na última prateleira de um cantinho da loja.

Naquele momento eu tive certeza da resposta para a pergunta que a Elis levantou aqui, há pouco mais de um ano, num texto que colocava em dúvida a sobrevida dos PDAs. Eles morreram mesmo. Estão acabados, escondidos nas prateleiras de baixo das BestBuys da vida, do mesmo jeito que os cartões CompactFlash cuja morte eu confirmei na viagem anterior. O mundo agora é dos smartphones, e o lançamento do iPhone só vai intensificar a tendência, já que daqui a um tempo, talvez nem os MP3 players possam se dar ao luxo de não serem celulares.

Pesquisando sobre o assunto, encontrei uns números interessantes, divulgados pelo IDC no fim do ano passado. No terceiro trimestre de 2006, o mercado europeu de computadores de mão cresceu 13%. A alta foi puxada pelos “dispositivos convergentes” (leia-se smartphones), cujas vendas cresceram 30%. Em compensação, os PDAs dedicados vinham caindo há um ano, e cada vez mais rápido. Recuaram 17% no último trimestre de 2005 e absurdos 60%, no terceiro de 2006. Que descansem em paz!

Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição – Uso Não Comercial – Não a obras derivadas 2.0

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