Já escrevi aqui sobre a decisão de comprar meu primeiro notebook, do momento em que ele virou (ainda que por acidente) meu computador principal e do desktop que acabou retomando-lhe o título. Depois que recebi um outro portátil para usar no trabalho, o Compaq ficou encostado por alguns meses até que eu decidisse vendê-lo. Anunciei aqui nos Classificados e no Mercado Livre, mas acabei fechando com um colega de trabalho.
Como Murphy não falha, não é que um mês depois de terminada a garantia da loja onde comprei o note, o dito cujo parou de funcionar? Como eu sempre me responsabilizo pelos usados que vendo, peguei o note de volta para tentar consertar ou devolver o dinheiro do (agora infeliz) comprador. Embora não a tivesse comprado lá, deixei a máquina na NotebookOne, cujo laboratório é referência em manutenção de portáteis.
Em pouco tempo fiquei sabendo que o problema está no controlador de energia, um componente da placa-mãe que, infelizmente, não é vendido separadamente. O jeito é trocar a placa inteira! Ainda não recebi o orçamento definitivo, pois o fornecedor não tem a placa em estoque, mas já andei pesquisando na web é vi que ela custa, lá fora, em torno de US$ 300. No Mercado Livre, há quem venda modelos equivalentes por R$ 800.
Se a NotebookOne conseguir a peça a um preço razoável, vou autorizar o conserto para devolver o notebook ao amigo que, apesar de tudo, ainda prefere ter a máquina a receber o dinheiro de volta. Mas, se não fosse por ele, talvez fosse mais vantajoso esquartejar o notebook e o vender aos pedaços, quase como fiz com o penúltimo desktop. É trabalhoso e pode demorar para arranjar comprador para tudo, mas pelos preços que achei na internet, poderia render até mais do que os R$ 3 mil pelos quais vendi o note.
Duvida? Então, vamos às contas, começando pelos itens não-originais em que investi para melhorar o desempenho do notebook e que, portanto, devem ser os mais fáceis de passar adiante. Meu precioso HD de 100 GB e 7200 RPM vale uns R$ 350 (há seis meses vendi outro semelhante aqui nos Classificados por R$ 400). Os dois módulos de memória DDR de 1 GB devem render uns R$ 300 cada.
Em seguida, tentaria me desfazer dos itens que pessoas comuns podem comprar e usar em seus notes sem precisa abri-lo. A fonte, que serve para diversos modelos da HP/Compaq, deve valer R$ 100. A bateria de 6 células, apesar de usada, também deve ter boa procura, já que é difícil encontrar uma nova, original, aqui no Brasil. Se conseguir R$ 200 por ela, completo R$ 1.300 – só com as coisas relativamente fáceis de vender.
Do que sobra, acho que a tela de 14 polegadas é o componente mais caro e que deve ser mais procurada. Os vendedores do Mercado Livre pedem R$ 550 por ela. Eu tentaria vender por R$ 400. O drive de DVD-RW Dual Layer pelo qual tive que brigar com a loja também não deve ser difícil de vender… por uns R$ 250, quem sabe? Isso me levaria aos R$ 1.950. E ainda falta coisa….
Dá para acreditar que o cabo que conecta a placa mãe à tela vale R$ 150 e o teclado, R$ 300? É o que pedem no Mercado Livre. Ironicamente, parece valer mais que o processador, um Turion64 ML28 que só vi mencionado como brinde para quem comprasse uma placa-mãe de notebook. Mas o cooler dele até que vale alguma coisa: R$ 100, ainda segundo os vendedores do ex-site de leilões
Se a minha placa mãe estivesse funcionando, poderia tentar vendê-la para outra vítima de um defeito como o que me atingiu pelos tais R$ 800 que eu provavelmente terei que pagar para ressuscitar o meu notebook. E restaria apenas o que chamam de “carcaça” do notebook, o conjunto de chassis e acabamentos externos avaliado em R$ 300. Eu ainda acho que seria justo poder vender a licença do Windows XP (tem um cara vendendo os CDs de restauração e manuais por R$ 200), mas quando levantei essa possiblidade da última vez, disseram que isso é considerado pirataria.
Fizeram as contas? Se eu realmente conseguisse os valores listados acima (todos baseados em preços do Mercado Livre), somaria R$ 2.800 em vendas. Caso a placa-mãe estivesse funcionando, seriam R$ 3.600. 20% a mais que os R$ 3 mil pelos quais eu vendi o note inteiro. Será, então, que trabalhar com desmanche de notebooks pode ser um bom negócio? A julgar pelo número de pessoas vendendo peças para eles no Mercado Livre, dá para acreditar que sim…
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