Hackeando o PSP para desbloquear a região do DVD – parte 2

May 22, 2007 on 6:16 pm | In colunas, forumpcs, games, video | No Comments

Semana passada comecei a narrar minha epopéia para tentar desbloquear a região de um DVD player da Sony, usando códigos de infravermelho que deveriam ser transmitidos por um notebook, PDA, celular, controle remoto universal ou PSP. Escolhi o último, não só pelas circunstâncias, mas pela ironia de usar um produto da Sony para hackear outro.

Só que, para isso, primeiro seria preciso desbloquear o próprio PSP para rodar programas “feitos em casa”, conhecidos internacionalmente como “homebrew”. O assunto rendeu polêmica nos comentários da última coluna porque muitos acharam que eu estava incentivando a pirataria. Não era essa a intenção. Um PSP desbloqueado não é como um PS2, no qual a alteração tem como único objetivo rodar jogos piratas.

No portátil, o desbloqueio também abre caminho para o uso de programas caseiros, como o de controle-remoto que eu precisava instalar. Se pensarmos que o PSP é um computador portátil com um belo LCD e conectividade WiFi, nada mais justo do que poder usá-lo para mais do que apenas jogar, sem ficar restrito ao que aos programas que a Sony referendou.

Hackear um PSP é ilegal? Sinceramente, não sei. Lá nos Estados Unidos, não parece ser – os únicos tabus nos sites especializados são a distribuição de ISOs de jogos piratas, por motivos óbvios, e de versões antigas do firmware (algo como o sistema operacional do PSP), que também tem seus direitos autorais reservados à Sony. Há quem diga que como o harware é seu, você tem o direito de fazer o que quiser com ele, mas esta opinião esta longe de ser um consenso.

Ao hackear o seu PSP você pode estar violando o termo de uso do produto e certamente estará comprometendo a garantia e o suporte do aparelho, mas dificilmente será considerado um criminoso ou processado pela Sony. Nem os hackers mais famosos do submundo do PSP são incomodados pela empresa japonesa. Um deles, em entrevista recente à BBC, afirmou que como a Sony nunca o procurou, tem confiança de que o que faz não é ilegal. E um representante da empresa ouvido na mesma reportagem disse que o problema deles não é com o homebrew, mas com a pirataria.

O que a empresa faz, sim, para coibir a prática e a disseminação tanto dos jogos piratas quanto dos homebrews é tentar – até agora sem sucesso – impedir de todo jeito que o PSP rode programas não certificados (para certificar um, o desenvolvedor precisa pagar royalties à empresa). Cada nova versão do firmware do PSP vem mais protegida, mas os hackers de plantão sempre dão um jeitinho de liberar tudo de novo, geralmente explorando bugs do próprio sistema ou de jogos específicos.

A versão 1.0 do firmware do PSP, presente apenas nos primeiros aparelhos vendidos no Japão, não tinha qualquer proteção contra a execução de programas alternativos. A 1.50, dos primeiros PSPs vendidos nos Estados Unidos, também rodava homebrews facilmente – o que fez dela a preferida dos programadores independentes. Até hoje, a maioria dos programas caseiros só roda ou tem uma versão que roda no 1.50.

Como os novos PSP naturalmente começaram a vir com firmwares atualizados e muita gente já tinha feito upgrade de firmware para rodar algum jogo mais recente, os hackers tiveram que entrar em cena para criar os chamados “downgraders”, que permitem retroceder para uma versão antiga do firmware. Um dos mais famosos explorava um bug do jogo Grand Theft Auto – Liberty City Stories, o que fez o preço do jogo usado disparar nos sites de leilões depois que a falha foi corrigida.

O problema de fazer o downgrade para uma versão antiga do firmware é que os jogos novos se recusam a rodar. Pelo menos até um tal de Dark Alex, codinome do estudante espanhol Alejandro, passar a desenvolver seus próprios firmwares, que reúnem os recursos das versões mais novas com a capacidade de rodar homebrews do 1.50. Não é à toa que um frequentador de um fórum sobre PSP criou o lema: “Se o PSP é a Matrix, Dark Alex é o Neo”.

No meu caso, nem precisei instalar nenhum dos firmwares alternativos… bastou o Homebrew Enabler (HEN), um programinha que permite a execução de homebrews num PSP com firmware 2.71. Como o meu ainda era o 2.6 (há muito não compro jogos para o PSP, que uso mais para ver filmes durante viagens longas), antes precisei catar na internet o upgrader para a versão correta do firmware (pois a Sony só faria a atualização para a 3.XX).

Quem tem uma versão mais nova, precisa de um downgrader ou de um dos novos firmwares abertos (a última versão, quando este texto foi escrito, era a 3.40). E deve ficar de olho também no modelo da placa de circuto do PSP, já que os que usam uma tal de TA-082 não aceitam qualquer downgrader/firmware e podem “brickar”, o termo que a comunidade homebrewer usa para os PSPs que não são desbloqueados corretamente e param de funcionar, tornando-se tão úteis quanto tijolos (bricks, em inglês).

Para saber se o seu PSP é um TA-082, a melhor dica que encontrei é olhar pelo slot do UMD e procurar um código impresso, como o desta foto. Não sei se é 100% garantido, mas como as outras soluções envolviam desmontar o aparelho, preferi confiar nesta. Felizmente, o meu não era mesmo.

O Homebrew ENabler explora um bug no visualizador de fotos da interface do PSP. Você copia um monte de arquivos para o MemoryStick, inclusive uma imagem TIFF que provoca um buffer overflow ou coisa parecida, permitindo que o programa entre em funcionamento. A tela fica toda azul e depois verde, indicando que o procedimento deu certo. A partir daí, é só instalar seus homebrews e comemorar!

Infelizmente, não foi bem esse o meu caso. O upgrade funcionou, o homebrew rodou e o envio de códigos infravermelho, também. Mas o tal código que deveria ter desbloqueado as regiões do DVD, ainda não. Agora vou tentar com um Palm ou coisa parecida. Se funcionar, teria me poupado uma trabalheira enorme, mas eu não teria aprendido tanto sobre hacks de PSP. :-)

Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição – Uso Não Comercial – Não a obras derivadas 2.0

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