Orkut 2.0 será uma rede social portátil?
August 31, 2007 on 10:49 pm | In colunas, comunidade, forumpcs, web20 | No CommentsSemana passada escrevi sobre as redes sociais que existem além do Orkut, com ênfase para o ascendente Facebook. Sem querer desmerecer as contribuições daqueles que participaram, foi uma de minhas colunas de menor repercussão até hoje, com meia dúzia de comentários. Talvez por não ser o assunto favorito dos frequentadores do Fórum, talvez por eu não ter conseguido me fazer entender.
O interessante é que metade desses comentários tocaram num mesmo ponto: o Orkut seria melhor que as outras redes sociais porque “lá encontramos nossos amigos”. Claro. E uma coisa leva a outra: vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais? É difícil competir com o Orkut, mesmo tendo um produto melhor, simplesmente porque é preciso convencer as pessoas a migrar.
Difícil, mas não impossível: nos Estados Unidos, como vimos semana passada, o Facebook está crescendo bem mais rápido que o líder MySpace, podendo alcançá-lo em breve. E o domínio do MySpace lá já foi bem parecido com o do Orkut, aqui. Quem sabe se um azarão, seja o Facebook ou qualquer outro, não consegue se aproximar dele? Eu já fiz minha parte, convencendo vários amigos (e alguns leitores) a se cadastrarem no Facebook. Tenho 72 amigos lá, contra 300 e poucos, no Orkut. Nada mal…
O problema é que é um saco ter que preencher um novo perfil e convidar centenas de amigos a cada vez que surge uma nova aplicação social. A abordagem do Facebook já é um pouco melhor, pois permite a construção de aplicações em sua própria plataforma. Mas o ideal seria ter as informações sociais armazenadas em um território neutro, de onde pudessem ser consultadas por qualquer site que você autorizasse. E é exatamente isso que os participantes do grupo social-network-portability estão tentando criar.
A idéia é estender padrões já existentes, como o OpenId e o FOAF (Friend of a Friend), ou criar novos, como o SNAP (Social Network Aggregation Protocol) e a dupla OFF e RSF (Open Friend Format e Real Simple Friend) para gerenciar perfis e listas de amigos. Há preocupações legítimas quanto à privacidade de nossos dados, especialmente quando misturamos redes de amigos pessoais com contatos profissionais, mas todos os obstáculos identificados são sempre seguidos por diversas sugestões de soluções. No final das contas, o difícil mesmo parece ser fazer alguma grande rede aderir à idéia.
Parece, mas talvez nem seja. Um dos melhores textos que já li sobre o assunto foi escrito por um tal de Brad Fitzpartrick, um dos responsáveis pela lista de discussão mencionada acima e, o mais importante, um recém-contratado do Google. O mesmo Google que financiou um estudo da Universidade de Carnegie Mellon sobre o futuro das redes sociais que resultou num tal de Socialstream, cuja demonstração pode ser conferida neste vídeo.
Todos juntos agora
O principal conceito por trás do Socialstream é a possibilidade de reunir, num só lugar, tudo aquilo que você faz em diversas aplicações sociais. Isso, por si só, nem é novidade. O Tumblr já faz um pouco disso, mas o MugShot vai ainda mais longe. E ainda por cima é open-source, resultado de uma iniciativa da RedHat. Se você usa um monte de redes e ferramentas sociais, pode juntar tudo lá. Experimente!

O interessante do Socialstream é ter sido bancado pelo Google. A verdade é que as três empresas com maior poder de fogo na internet atual – Google, Microsoft e Yahoo – estão morrendo de inveja do sucesso das redes sociais. Como o MySpace já foi comprado pela Fox por US$ 580 milhões e o Facebook continua resistindo a ofertas na casa dos US$ 5 bilhões, o jeito é tentar criar sua própria rede. E se ela conseguir se comunicar com as outras, líderes de mercado, melhor ainda – tudo para facilitar a migração dos usuários.
No caso do Google, o ponto de partida para isso pode ser o Socialstream, mas também o nosso velho conhecido Orkut. A recente mudança no visual foi só o começo. Daqui para frente, espera-se que o Orkut comece a se abrir para integração com serviços externos, como é o Facebook ou até mais. Não para facilitar a vida dos concorrentes brasileiros, mas para torná-lo capaz de brigar por uma fatia significativa do mercado americano. Os usuários agradecem!
Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição – Uso Não Comercial – Não a obras derivadas 2.0
Facebook, uma rede social muito diferente
August 24, 2007 on 4:09 pm | In colunas, comunidade, forumpcs, web20 | 1 CommentSe você é brasileiro e acessa a internet, certamente conhece o Orkut e provavelmente já se cadastrou ou decidiu não se cadastrar nele, apesar da pressão de um monte de amigos. Com mais de 10 milhões de usuários no mundo e a maioria deles no Brasil, o site de relacionamento do Google é o maior exemplo que temos por aqui de uma rede social. Mas está longe de ser o melhor e, no ranking mundial da ComScore WorldMetrix, ocupa um discreto terceiro lugar.
À frente do Orkut, que só fez sucesso mesmo no Brasil e na Índia, está o líder isolado MySpace, com seus 30 milhões de usuários, seguido pelo Facebook, com a metade disso. Quando olhamos a evolução desses números ao longo de um ano, entretanto, o destaque vai para o segundo colocado. Com um crescimento de 300% em 12 meses, o Facebook dá todos os sinais de que vai brigar pela liderança. E, em minha humilde opinião, vai conquistá-la se os concorrentes não mudarem radicalmente.

O crescimento das seis maiores redes sociais entre junho de 2006 e junho de 2007, segundo o ComScore World Metrix
Ao analisar com atenção as grandes redes sociais da atualidade, podemos notar algumas grandes diferenças entre elas. Nos números, há uma clara segmentação geográfica, com MySpace e Facebook reinando nos Estados Unidos, Orkut na América Latina e Ásia (por causa da Índia), o pioneiro Friendster, na Ásia e o ascendente Bebo, na Europa, bem atrás dos líderes:

Mas as diferenças que nos interessam aqui não são esta, e sim as que separam o Facebook principalmente de seu conterrâneo MySpace, mas também de quase todas as outras redes. A primeira delas é histórica: o Facebook começou como um conjunto de redes restritas aos estudantes das universidades americanas (lembram quando era preciso ser convidado para o Orkut?). Depois se abriu para as escolas, repletas de adolescentes que sonhavam em ter acesso ao até então exclusivo mundo dos colegas mais velhos e, por fim, liberou geral.
A migração de gente do MySpace para o FaceBook que se seguiu virou prova da infidelidade do usuário de redes sociais, mas também evidenciou uma diferença de perfis entre eles. O Facebook, com suas raízes universitárias, é um território mais elitista. O MySpace, que hospeda as páginas de tantas novas bandas, é um lugar mais popular – no bom e no mau sentido. Nas escolas, os CDFs estão no Facebook e os bagunceiros, no MySpace. No exército, os oficiais estão num e os soldados, no outro.
Só que esta também não é a diferença mais importante. O detalhe a que se refere o título desta coluna é o fato de o Facebook ser uma plataforma para aplicações sociais, e não apenas um site de relacionamento. Se você já esta cadastrado lá, deve ter entendido o que eu quis dizer. Se não está, mas se interessa o suficiente pelo assunto para ter lido até aqui, trate de ir lá e se cadastrar. Você não vai se arrepender. Aproveite e se inscreva no grupo que acabei de criar para o Fórum PCs.
A característica mais legal do Facebook é permitir que qualquer um com um mínimo de noção de desenvolvimento web crie componentes que rodam dentro do próprio site – e não apenas para incrementar seu perfil, coisa que o MySpace também faz. São desde simples listagens de notícias, como as que a Globo.com já criou para o G1, por exemplo (disclaimer: eu trabalho na Globo.com, embora não tenha participado desse projeto), até verdadeiras aplicações sociais, como o joguinho em que você desafia seus amigos para ver quem é melhor em Geografia:

A graça disso é que fica muito mais fácil criar experiências sociais, já que não é preciso lidar com a construção e manutenção de páginas de perfis, listas de amigos etc. O resultado? O surgimento de centenas e centenas dessas Facebook Applications, parte de um ecossistema que a Business 2.0 chamou ontem de Facebook Economy e que já rendeu centenas de milhares de dólares em publicidade e milhões em investimentos de risco.
Em tempo: este não era bem o assunto que eu pretendia abordar esta semana, mas achei melhor fazer esta introdução antes. Semana que vem falaremos de algo ainda mais promissor: a portabilidade das redes sociais.
Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição – Uso Não Comercial – Não a obras derivadas 2.0
Redes sociais pelo mundo
August 10, 2007 on 3:27 pm | In comunidade, mercado, web20 | No CommentsMontei o gráfico abaixo a partir das informações da comScore que o John Bell divulgou em seu blog, na semana passada. Assim fica mais fácil visualizar a diferença de perfil geográfico de cada uma das grandes redes sociais:

Sete virtudes do software livre
July 19, 2007 on 10:17 am | In comunidade, opensource, software, wnews | No CommentsMuito se ouve falar de software livre, open source e coisas do gênero, mas será que vale a pena apostar em soluções de código aberto? Confira, no WNews, os principais argumentos de que acha que sim. E se você discorda, explique por quê. Nossa próxima incursão no tema pode ser uma lista dos sete pecados capitais desse modelo.
Rede social verde
July 18, 2007 on 11:35 am | In comunidade, energia, web20 | No CommentsMake Me Sustainable, uma rede social com foco em economia de energia. Pena que não funciona direito para quem mora fora dos Estados Unidos, pois não dá para construir seu perfil de consumo :-(
Que Second Life, que nada. O mundo virtual é cor de rosa
July 18, 2007 on 11:18 am | In comunidade, games, realidade-virtual | No CommentsComo se não bastasse as grandes empresas que haviam aderido ao hype do SL estarem abandonando suas ilhas, a Scientific America revelou que o mundo virtual que mais cresce atualmente é o feminino Barbie Girls, com 3 milhões de habitantes em três meses de operação (o Second Life demorou três anos para chegar ao primeiro milhão).
Segundo as contas do TechCrunch, se mantiver a taxa de 50 mil novas usuárias por dia, o mundo cor de rosa da Mattel vai superar o Second Life e o World of Warcraft até o fim do ano. Bem que eu sempre disse que um mundo virtual “de massa” ainda estaria mais para Virtual Magic Kingdom do que para SL e outras extravagâncias 3D.
Via Futuro.vc
Usuário de rede social é fiel?
July 4, 2007 on 11:21 am | In comunidade, web20 | No CommentsPesquisa da Parks Associates citada pelo jornal inglês The Times dá conta de que os usuários de redes sociais são cronicamente infiéis (às redes, não aos parceiros). A conclusão, que desafia o senso comum de que é muito difícil roubar usuários de uma rede já estabelecida, parece ter sido baseada exclusivamente na perda de público do MySpace para o Facebook, mas seria bom ler o estudo inteiro para ter certeza.
A migração do MySpace para o Facebook, segundo o interessantíssimo estudo sociológico de Danah Boyd, pode ter a ver com uma certa esteriotipização do usuário de cada um desses serviços. Em resumo: jovens brancos com belas carreiras pela frente estão no Facebook. Pobre, latinos e estudantes problemáticos, no MySpace. Às vezes o contraste pode ser notado dentro de uma mesma escola e aparece até no exército, onde os soldados usam MySpace e os oficiais, Facebook. Ao perceberem isso, é natural que os membros do primeiro serviço, por questões aspiracionais, troquem para o segundo.
Em tempo: vale conferir o mapa da penetração de diversas redes sociais pelo mundo descoberto pelo Cox, do Reflexões Digitais. Resume bem o papel de cada uma.
Avatar do SL consome tanta energia quanto brasileiro médio
June 11, 2007 on 3:37 pm | In comunidade, energia, realidade-virtual | No CommentsA notícia é do finzinho do ano passado, mas só agora chegou à minha atenção. Nicholas Carr, do Rough Type, calculou o consumo de energia dos servidores que rodam o mundo virtual do Second Life e dividiu o total pela média de residentes ativos. Obteve um gasto diário de 4,8 kWh – ou 1.752 kWh ao ano.
O consumo está abaixo da média global dos humanos de carne e osso, de 2.436 kWh, mas é quase igual ao do brasileiro médio, que gasta 1.884 kWh por ano. Isso equivale à emissão de 1,17 toneladas de dióxido de carbono por ano! Quem diria que seres virtuais poderiam afetar tanto a ecologia do mundo real?
Dez motivos para comentar mais em blogs
May 28, 2007 on 4:56 pm | In Uncategorized, comunidade, pressdelete, web20 | 1 CommentA lista abaixo está aberta numa das tabs do meu Firefox há duas semanas, esperando que eu tivesse tempo de traduzir. O blogueiro profissional Chris Garrett incentivou seus leitores a comentarem mais em blogs em geral. Propôs que, durante uma semana, tentassem comentar mais e mais a cada dia e acompanhassem o resultado. Na semana seguinte, apresentou dez razões pelas quais considera o ato de comentar bom para blogueiros:
1 – É a coisa certa a fazer – as pessoas reclamam de não ter comentários suficientes em seus próprios blogs, mas não dedicam tempo suficiente a comentar nos outros. Todos nós gostamos de atenção e um eventual tapinha nas costas por um trabalho bem feito. Trate os outros como você gostaria de ser tratado!
2 – Fazer amigos e influenciar pessoas – blogar é, em parte, uma atividade de networking. As pessoas têm mais probabilidade de linkar para você (ou mais) se elas tiverem ouvido falar de você. Apareça, faça amigos.
3 – Cliques - as pessoas clicam no seu link para ver sobre o que mais você escreve. Óbvio, mas verdadeiro.
4 – Desenvolver um olhar blogueiro – encontre o ponto de interesse de uma história. Ao comentar, você está treinando seu cérebro a pensar em algo interessante.
5 – Criar conteúdo comentável - observando os posts em que você comentou e aqueles em que não comentou (ou não conseguiu, por mais duro que tentasse!) você desenvolve uma percepção do que funciona para atrair comentários.
6 – Comentários = idéias - você conseguiu comentar. O seu comentário poderia ser expandido para um post?
7 – Você nunca sabe quem está lendo - me espanta quem lê meus comentários em blogs obscuros que eu achava que só eu e um punhado de pessoas liam. Meus comentários num blog renderam um trabalho de consultoria. Você nunca sabe a não ser que tente.
8 – O que você dá, você recebe mais – eu acredito fortemente que o que você faz retorna pra você. Você receberá mais comentários. Experimente.
9 – Manter-se em forma – exercite seus músculos de escritor, quanto mais praticar, mais você melhora. Comentários devem ser curtos, rápidos, diretos ao ponto e produzir um impacto. São testes excelentes para sua habilidade de redação.
10 – Comentar em blogs novos para perspectivas novas – se você está sempre entre a mesma turma, inevitavelmente verá os mesmos pensamentos refletidos vez após vez. Liberte-se! Eu recomendo que as pessoas comentem em novos blogs a cada dia. Ao não comentar sempre nos mesmos blogs, ou especialmente estabelecer o objetivo de comentar em novos blogs do que na véspera, você será forçado a sair da suas zona de conforto de leitura de blogs e visitar novos blogs. Isso lhe expõe a novas idéias, formas diferente de ver as coisas e, quem sabe, uma saída da câmara de eco.
Garrett reuniu algumas justificativas interessantes aos conselhos óbvios que poderiam ser resumidos em “comente para ser comentado”, mas o melhor de tudo acho que foi a proposta da experiência de uma semana. Pelos próximos sete dias, vou me dedicar mais aos comentários e ver o que acontece. Se você quiser fazer o mesmo, pode começar aqui mesmo! :-)
Sete dicas de gestão de comunidades (tradução)
May 21, 2007 on 9:05 am | In comunidade, midia, pressdelete, web20 | No CommentsEscrevi, na semana passada, sobre um belo apanhado de dicas de gestão de comunidade que Matthew Haughey havia postado no Fortuitous e prometi publicar uma tradução completa, já devidamente autorizada por Matt. Aqui vai, então, a tradução por Miriam Medeiros, que já nos havia brindado com a versão em português de O que é a Web 2.0. Se alguém precisar de serviços de tradução, escreva para ela.
ALGUMAS DICAS DE COMUNIDADE PARA 2007
Sete dicas de como administrar uma comunidade bem sucedida
por Matthew Haughey
Fique de olho em com quem você fala, no que foi dito e na sua próxima ação
A mais ou menos cada ano eu escrevo um longo post, ou faço uma apresentação em uma conferência a respeito de comunidade. Cada vez que abordo o assunto, pego o que já escrevi a respeito e acrescento coisas que aprendi recentemente ou que já havia aprendido havia tempos mas que só recentemente me dei conta. Preparando-me para uma próxima apresentação, decidi escrever o que aprendi ou percebi nos últimos 12 meses. Suspeito que eu vá retomar esse assunto muitas vezes nesse blog, mas queria deflagrar essa primeira abordagem ao tema de comunidade com uma lista de coisas sobre as quais venho pensando ultimamente mas sobre as quais pouco escrevi até o momento. Se você quiser uma lista de dicas introdutórias, uma das minhas primeiras tentativas foi esta de 2001. Considere esta mais como uma lista de dicas avançadas.
Antes de começarmos, deixe-me divagar um pouco. Eu detesto a expressão “conteúdo gerado pelo usuário” (User Generated Content). Nunca a emprego quando falo sobre o assunto e nunca vou empregar esta expressão mesmo quando estiver escrevendo sobre ela. Considero-a uma expressão pejorativa que revela muito sobre a pessoa que a utiliza. Faz com que membros do seu site sintam-se como dóceis robôs que geram conteúdo que você transforma em dinheiro. O termo adequado (respeitoso) é comunidade e administrar uma comunidade é um verdadeiro desafio. Se estiver construindo uma comunidade, você deve gostar dela e ser seu melhor participante. Criar um espaço que outros vão compartilhar e que você tem que alimentar, e ainda recompensar seus melhores contribuidores, exige muito esforço e paciência. É um trabalho basicamente humano com poucos ou nenhum atalho técnico. Ok, voltemos às dicas.
Continue reading Sete dicas de gestão de comunidades (tradução)…
Powered by WordPress with Pool theme design by Borja Fernandez.
Entries and comments feeds.
Valid XHTML and CSS. ^Top^