Cientista cria híbrido de bateria e capacitor de plástico

September 13, 2006 on 6:40 pm | In colunas, energia, forumpcs, hardware | No Comments

Quem leu minhas colunas sobre células combustíveis, microgeradores e o uso de capacitores “nanotecnológicos” como baterias deve ter percebido o quanto esses assuntos me fascinam. Afinal, fontes de energia suficientemente compactas e duradouras são, hoje, o grande obstáculo para a miniaturização de muitos dos gadgets sem fio que tanto adoramos.

A última novidade nesta área, divulgada hoje pela assessoria de imprensa da Brown University, em Rhode Island, é um outro híbrido de capacitor e bateria que, em vez de nanotecnologia, lança mão de polímeros especiais para combinar a capacidade das baterias com a potência (entendida como a capacidade de receber e entregar carga rapidamente) dos capacitores.

A invenção, obra da pesquisadora Tayhas Palmore (abaixo, segurando as baterias/capacitores), usa um material chamado polypyrrole para armazenar energia. Esse polímero, um plástico que conduz eletricidade, é tão singular que rendeu a seus inventores o Nobel de Química em 2000. Na bateria híbrida de Palmore, duas lâminas de plástico com uma camada de ouro tiveram a ponta coberta com polypropyrrole e duas substâncias que alteram suas propriedades condutoras – uma em cada lâmina. Em seguida, as lâminas foram “sanduíchadas” com uma membrana de papel para evitar curto-circuitos.

A bateria/capacitor resultante pode ser rapidamente carregada e descarregada e pode armazenar energia por longos períodos de tempo. Testes do protótipo registraram o dobro da capacidade de um capacitor e mais de cem vezes a potência de uma bateria alcalina comum. Melhor ainda: é extremamente compacta, do tamanho de um iPod Nano e com a espessura de uma transparência de retroprojetor!

Por conta disso, a pesquisadora prevê que essas baterias poderão ser aplicadas em qualquer coisa. “Você poderia envolver um telefone celular ou outro eletrônico com elas. Você poderia até fazer um tecido com elas.” Para isso, só faltaria solucionar uma deficiência observada nos protótipos: sua capacidade diminui sensivelmente na medida que vai sendo carregada e descarregada algumas vezes.

Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição – Uso Não Comercial – Não a obras derivadas 2.0

A crise dos CCDs defeituosos: sua câmera corre risco?

October 14, 2005 on 6:11 pm | In colunas, forumpcs, fotografia, fotografia-digital, hardware | No Comments

Uma de minhas colunas mais lidas e comentadas aqui no Fórum foi aquela em que eu discutia a preferência dos brasileiros por câmeras Sony e comentava que a marca era responsável pelos sensores que equipam boa parte das máquinas dos mais diversos fabricantes. Esbarrei no tema novamente ao falar sobre as relações de OEM em outros segmentos, como os notebooks Apple produzidos pela Asus e os drives óticos Lite-On, vendidos com inúmeras marcas diferentes.

Nos últimos dias, a “promiscuidade” dessas relações deu origem a um fato insólito e inédito neste segmento: no espaço de duas semanas, nada menos que sete marcas de câmeras emitiram alertas sobre possíveis falhas nos sensores CCD de alguns de seus modelos – tanto câmeras fotográficas quanto filmadoras. O problema teria se originado na troca do encapsulamento cerâmico para o plástico, a fim de reduzir o custo dos componentes, e resulta em imagens distorcidas ou ausência de qualquer imagem – vide as fotos abaixo, fornecidas pela Konica-Minolta.

O efeito colateral da mudança é que o novo revestimento de epóxi seria mais vulnerável à umidade, que provoca panes nos sensores quando as câmeras são expostas a condições de temperatura e umidade elevadas. Como este processo é lento, o defeito só aparece muito depois da compra da câmera – tanto que os modelos ameaçados foram fabricados entre 2002 e 2004 e a bomba foi estourar agora!

Todos os fabricantes que se pronunciaram sobre o defeito fizeram repetidos pedidos de desculpas a seus consumidores e estão se propondo a reparar as câmeras afetadas gratuitamente – mesmo as que estão fora da garantia. É claro que essas informações foram publicadas nos sites internacionais, deixando-nos em dúvida sobre a perspectiva dos consumidores brasileiros – especialmente aqueles que comprarm suas câmeras no exterior.

Depois de encontrar o alerta no site brasileiro da empresa, ligamos para o serviço de atendimento da Sony – das marcas envolvidas a que tem a maior representatividade aqui no Brasil – e ficamos positivamente surpresos com a orientação: levar a câmera e a nota fiscal a uma assistência técnica para avaliação. Constatado o defeito no CCD, ela será consertada gratuitamente, mesmo que tenha sido comprada fora do Brasil – a funcionária informou categoricamente e confirmou a informação de que a nota fiscal americana da F-717 que eu inventei ter comprado nos Estados Unidos seria suficiente. Palmas para a Sony!

Na verdade, a empresa não está fazendo mais do que sua obrigação: se não ficou claro até aqui, vale informar que todos esses sensores correm o mesmo risco porque foram todos produzidos pela Sony, uma das líderes do mercado de CCDs. Dizem até que é ela quem vai pagar a conta de todos os consertos “grátis” oferecidos pelas demais empresas. Mas é bom deixar claro que isso não significa que você possa levar câmeras de outras marcas para a assitência técnica da Sony consertar… se ela pagar mesmo a conta, será para o fabricante da sua câmera, que tem que se virar para consertá-la de graça para você.

Por fim, segue, abaixo, a tabela mais completa dos modelos afetados, reproduzida do site Imaging Resource. Torça para a sua não estar aí:

Canon:
o PowerShot A60
o PowerShot A70
o PowerShot A75
o PowerShot A300
o PowerShot A310
o PowerShot S230 Digital ELPH / Digital IXUS V3 / IXY D320
o PowerShot SD100 Digital ELPH / Digital IXUS II / IXY Digital 30
o PowerShot SD110 Digital ELPH / Digital IXUS IIs / IXY Digital 30a

Fujifilm:
o FinePix A303
o FinePix F410 Zoom
o FinePix F700
o FinePix S2 Pro

Sony:
o Cyber-shot DSC-F717
o Cyber-shot DSC-P10
o Cyber-shot DSC-P12
o Cyber-shot DSC-P2
o Cyber-shot DSC-P31
o Cyber-shot DSC-P32
o Cyber-shot DSC-P51
o Cyber-shot DSC-P52
o Cyber-shot DSC-P7
o Cyber-shot DSC-P71
o Cyber-shot DSC-P72
o Cyber-shot DSC-P8
o Cyber-shot DSC-P92
o Cyber-shot DSC-U10
o Cyber-shot DSC-U20
o Cyber-shot DSC-U30
o Cyber-shot DSC-U60
o Cyber-shot DSC-V1
o CD Mavica MVC-CD250
o CD Mavica MVC-CD400
o CD Mavica MVC-CD500
o FD Mavica MVC-FD100
o FD Mavica MVC-FD200

Minolta:
o DiMAGE A1
o DiMAGE 7i
o DiMAGE 7Hi
o DiMAGE Xi
o DiMAGE Xt
o DiMAGE X20
o DiMAGE S414
o DiMAGE F300

Nikon:
o Coolpix SQ
o Coolpix 3100
o Coolpix 5700

Ricoh:
o Caplio RR30
o Caplio 300G
o Caplio G3
o Caplio G3 model M
o Caplio G3 model S
o Caplio ProG3
o Caplio G4
o Caplio G4 wide
o Caplio 400G wide
o Caplio RX

Olympus:
o Camedia C-5050 Zoom
o Camedia C-730 Ultra Zoom

Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição – Uso Não Comercial – Não a obras derivadas 2.0

Gravação perpendicular e o “complexo de esquilo”

May 23, 2005 on 5:52 pm | In colunas, forumpcs, hardware | No Comments

Meu quarto sempre foi entulhado de coisas que eu jamais usaria, mas tinha pena de jogar fora. Ainda hoje tenho centenas de caixinhas de balas Tic-Tac de laranja vazias, guardadas para uma instalação que pretendo construir algum dia. É o que alguns chamam de “complexo de esquilo”, uma mania de armazenar bagulhos como os pequenos roedores estocam nozes em suas tocas.

Mas essas loucuras sempre foram limtadas pelo espaço físico – invariavelmente chega a hora de arrumar a casa e muitas das preciosidades estocadas acabam indo embora. No mundo da tecnologia, no entanto, o complexo de esquilo pode ser praticamente ilimitado. Seu HD está lotado de programas, músicas, ou imagens de que você nem lembra mais? Compre um HD maior e siga em frente!

Com a capacidade dos discos rígidos crescendo exponencialmente ao longo das últimas duas décadas, o salto dos 20MB para 200GB (um aumento de 10 mil vezes) do meu primeiro PC para o atual nem impressiona mais. O que assusta é que estes 200GB estejam praticamente lotados, principalmente por fotos digitais e MP3 (a maioria ripados de CDs adquiridos legalmente, não me comprometam).

A saída, mais uma vez, será acrescentar um disco novo (ou substituir um dos velhos por outro de maior capacidade). Com modelos de 320 GB a menos de US$ 200 (lá fora), é um dos upgrades mais simples e baratos que se pode fazer em um PC. Mas e se o problema acontecer em um MP3 player? Compro um de maior capacidade, como o iPod de 60 GB!

E se esse dispositivo também for usado para fotos e vídeos, tornando os 60 GB insuficientes? Basta esperar a Apple lançar um maior, certo? Sim, mas isso quase não foi possível devido a uma limitação tecnológica chamada de efeito superparamagnético, que por muito pouco não paralisou o aumento de capacidade dos HDs miniatura usado em dispositivos portáteis.

O superparamagnetismo é um efeito observado quando os elementos magnéticos de um disco rígido se tornam tão pequenos que passam a influenciar uns aos outros, provocando a perda de dados. O problema foi previsto décadas atrás (o primeiro HD foi vendido em 1956), mas nunca se soube ao certo até onde seria possível encolher esses elementos antes que eles começassem a girar aleatoriamente.

Nos anos 1970 falou-se em uma densidade máxima de 25 megabits por polegada quadrada, uma estimativa absurdamente baixa. Hoje existem HDs com mais de 100 gigabits por polegada, mas alguns pesquisadores acreditam que seria muito difícil superar os 120 gigabits sem uma mudança radical na tecnologia empregada.

Esta mudança atende pelo nome de gravação perpendicular e vem sendo pesquisada a fundo desde 1976, embora seja conhecida desde o fim do Século XIX. Consiste em posicionar os bits de dados verticalmente em relação ao disco, enquanto a técnica atual (gravação longitudinal) os dispunha horizontalmente. Além de não interferirem uns nos outros, os bits passam a ocupar menos espaço, permitindo densidades muito mais altas.

A Hitachi foi a primeira a chamar a atenção da mídia para a gravação perpendicular. Demonstrou em março uma aplicação prática da tecnologia, atingindo uma densidade de 230 gigabits por polegada, e publicou um excelente relatório sobre o assunto, bem como a animação explicativa de onde capturamos a imagem acima. Está entre as coisas mais engraçadas que vimos na Internet nos últimos tempos, não deixe de assistir!

O chato é que enquanto a Hitachi contava vantagem e prometia produtos comerciais baseados em gravação perpendicular para 2007, a Toshiba passou a frente e lançou, no Japão, uma linha de MP3 players de alta capacidade (como o Gigabeat cor-de-rosa da foto abaixo) que usam HDs com gravação perpendicular. Mas não se preocupe – a teconologia logo, logo chegará a um eletrônico portátil perto de você!

Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição – Uso Não Comercial – Não a obras derivadas 2.0

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