Desmanche de notebooks é um bom negócio?
March 9, 2007 on 3:07 pm | In colunas, consumidor, forumpcs, hardware, mercado | No CommentsJá escrevi aqui sobre a decisão de comprar meu primeiro notebook, do momento em que ele virou (ainda que por acidente) meu computador principal e do desktop que acabou retomando-lhe o título. Depois que recebi um outro portátil para usar no trabalho, o Compaq ficou encostado por alguns meses até que eu decidisse vendê-lo. Anunciei aqui nos Classificados e no Mercado Livre, mas acabei fechando com um colega de trabalho.
Como Murphy não falha, não é que um mês depois de terminada a garantia da loja onde comprei o note, o dito cujo parou de funcionar? Como eu sempre me responsabilizo pelos usados que vendo, peguei o note de volta para tentar consertar ou devolver o dinheiro do (agora infeliz) comprador. Embora não a tivesse comprado lá, deixei a máquina na NotebookOne, cujo laboratório é referência em manutenção de portáteis.
Em pouco tempo fiquei sabendo que o problema está no controlador de energia, um componente da placa-mãe que, infelizmente, não é vendido separadamente. O jeito é trocar a placa inteira! Ainda não recebi o orçamento definitivo, pois o fornecedor não tem a placa em estoque, mas já andei pesquisando na web é vi que ela custa, lá fora, em torno de US$ 300. No Mercado Livre, há quem venda modelos equivalentes por R$ 800.
Se a NotebookOne conseguir a peça a um preço razoável, vou autorizar o conserto para devolver o notebook ao amigo que, apesar de tudo, ainda prefere ter a máquina a receber o dinheiro de volta. Mas, se não fosse por ele, talvez fosse mais vantajoso esquartejar o notebook e o vender aos pedaços, quase como fiz com o penúltimo desktop. É trabalhoso e pode demorar para arranjar comprador para tudo, mas pelos preços que achei na internet, poderia render até mais do que os R$ 3 mil pelos quais vendi o note.
Duvida? Então, vamos às contas, começando pelos itens não-originais em que investi para melhorar o desempenho do notebook e que, portanto, devem ser os mais fáceis de passar adiante. Meu precioso HD de 100 GB e 7200 RPM vale uns R$ 350 (há seis meses vendi outro semelhante aqui nos Classificados por R$ 400). Os dois módulos de memória DDR de 1 GB devem render uns R$ 300 cada.
Em seguida, tentaria me desfazer dos itens que pessoas comuns podem comprar e usar em seus notes sem precisa abri-lo. A fonte, que serve para diversos modelos da HP/Compaq, deve valer R$ 100. A bateria de 6 células, apesar de usada, também deve ter boa procura, já que é difícil encontrar uma nova, original, aqui no Brasil. Se conseguir R$ 200 por ela, completo R$ 1.300 – só com as coisas relativamente fáceis de vender.
Do que sobra, acho que a tela de 14 polegadas é o componente mais caro e que deve ser mais procurada. Os vendedores do Mercado Livre pedem R$ 550 por ela. Eu tentaria vender por R$ 400. O drive de DVD-RW Dual Layer pelo qual tive que brigar com a loja também não deve ser difícil de vender… por uns R$ 250, quem sabe? Isso me levaria aos R$ 1.950. E ainda falta coisa….
Dá para acreditar que o cabo que conecta a placa mãe à tela vale R$ 150 e o teclado, R$ 300? É o que pedem no Mercado Livre. Ironicamente, parece valer mais que o processador, um Turion64 ML28 que só vi mencionado como brinde para quem comprasse uma placa-mãe de notebook. Mas o cooler dele até que vale alguma coisa: R$ 100, ainda segundo os vendedores do ex-site de leilões
Se a minha placa mãe estivesse funcionando, poderia tentar vendê-la para outra vítima de um defeito como o que me atingiu pelos tais R$ 800 que eu provavelmente terei que pagar para ressuscitar o meu notebook. E restaria apenas o que chamam de “carcaça” do notebook, o conjunto de chassis e acabamentos externos avaliado em R$ 300. Eu ainda acho que seria justo poder vender a licença do Windows XP (tem um cara vendendo os CDs de restauração e manuais por R$ 200), mas quando levantei essa possiblidade da última vez, disseram que isso é considerado pirataria.
Fizeram as contas? Se eu realmente conseguisse os valores listados acima (todos baseados em preços do Mercado Livre), somaria R$ 2.800 em vendas. Caso a placa-mãe estivesse funcionando, seriam R$ 3.600. 20% a mais que os R$ 3 mil pelos quais eu vendi o note inteiro. Será, então, que trabalhar com desmanche de notebooks pode ser um bom negócio? A julgar pelo número de pessoas vendendo peças para eles no Mercado Livre, dá para acreditar que sim…
Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição – Uso Não Comercial – Não a obras derivadas 2.0
Algumas novidades fotográficas da CES 2007
January 19, 2007 on 11:36 am | In ces, colunas, fotografia, fotografia-digital, gadgets, mercado, viagem, wireless, wnews | No CommentsNão há nada como uma semana em Las Vegas, no início do ano, para nos atualizarmos sobre os últimos e próximos lançamentos eletrônicos. De volta do Consumer Electronics Show e recuperado das mais de 30 horas entre um aeroporto e outro, chegou o momento de compartilhar com vocês o que se viu de novo por lá no mundo da fotografia digital . Não muito, infelizmente.
Apesar de seu gigantismo, o Consumer Electronics Show não é o melhor palco para câmeras digitais . Com o evento anual da Photo Marketing Association (PMA) programado para daqui a menos de dois meses, é natural que muitos fabricantes guardem seus lançamentos para a feira de fotografia, onde não terão que disputar a atenção do público e da imprensa com milhares de expositores de outros segmentos, vários com muito mais bala na agulha.
Leia a coluna completa no WNews
Que os PDAs descansem em paz. O futuro é do smartphone
January 15, 2007 on 7:48 am | In GPS, celular, colunas, forumpcs, gadgets, mercado, viagem, wireless | No CommentsSou usuário de computadores de mão há bastante tempo. Tive um Jornada, da HP, na época em que eles se chamavam Handheld PCs e rodavam Windows CE 2.0. Depois tive um Palm IIIxe, um Vx, um iPaq, e um Toshiba e755. Apesar da variedade de modelos, no entanto, poucos foram os que usei regularmente. O mais comum era recorrer a eles apenas em viagens e para jogar durante aulas e reuniões chatas, mas na maior parte do tempo eles ficavam mesmo é encostados.
Na última destas viagens, sem nenhum PDA para levar, já que vendera o Toshiba quando comprei o notebook, decidi confiar neste último e me arrependi amargamente. Tirar o bicho da mochila e esperar ele ligar e carregar o programa era uma trabalheira bem maior do que sacar um Palm do bolso. Decidi, um tanto tardiamente, comprar um computador de mão novo. E que deveria ser um smartphone, já que estava mesmo querendo trocar meu celular pessoal.
Pesquisei os modelos mais falados e descartei logo os Treos, pois apesar de gostar do visual do 680, os dias que passei com um 650 num evento não me convenceram de sua utilidade. Aliás, omiti da lista lá do primeiro parágrafo o Treo 270 que usei durante uns meses e acabei passando adiante. Simpatizo com o mundo Palm como simpatizo com o do Linux, mas acho que me dou melhor com os PDAs baseados em Windows (CE, Mobile, whatever).
Considerei os Nokia (inclusive o E62 que a Elis avaliou), o Motorola “Q”, o Samsung Blackjack e outros igualmente elegantes, mas acabei optando por mais um iPaq, da HP, da mesma série que o Xandó testou recentemente. Alguns cliques na Amazon.com e, no dia seguinte, eu era o mais novo proprietário de um iPaq 6945. Não vou falar dele aqui porque o Xandó já o fez com bastante propriedade, mas afirmo que também aprovei o brinquedinho.
O fato de o aparelho ter WiFi e GPS (e rodar o PocketStreets, versão compacta do Microsoft Streets & Trips que já me havia guiado na viagem pelo Canadá) foram decisivos, principalmente para quem usa PDA principalmente quanto está viajando. O fato de poder comprá-lo desbloqueado, livre de compromissos com operadoras (que, estando nos Estados Unidos, eu nem poderia assumir), também.
O mais interessante dessa história é que, antes de encomendar na Amazon, eu bem que tentei encontrar um smartphone desbloqueado para comprar em algumas lojas físicas. Nas grandes lojas era impossível. Sem encontrar iPaqs nas vitrines das operadoras celulares, entretanto, decidi perguntar por Palms e afins a uma vendedora. Fiquei constrangido quando, depois de me questionar, espantada, se eu queria um PDA “sem celular”, ela pediu ajuda a um colega que me apontou dois míseros Palms – um TX e um LifeDrive – empoeirados na última prateleira de um cantinho da loja.
Naquele momento eu tive certeza da resposta para a pergunta que a Elis levantou aqui, há pouco mais de um ano, num texto que colocava em dúvida a sobrevida dos PDAs. Eles morreram mesmo. Estão acabados, escondidos nas prateleiras de baixo das BestBuys da vida, do mesmo jeito que os cartões CompactFlash cuja morte eu confirmei na viagem anterior. O mundo agora é dos smartphones, e o lançamento do iPhone só vai intensificar a tendência, já que daqui a um tempo, talvez nem os MP3 players possam se dar ao luxo de não serem celulares.
Pesquisando sobre o assunto, encontrei uns números interessantes, divulgados pelo IDC no fim do ano passado. No terceiro trimestre de 2006, o mercado europeu de computadores de mão cresceu 13%. A alta foi puxada pelos “dispositivos convergentes” (leia-se smartphones), cujas vendas cresceram 30%. Em compensação, os PDAs dedicados vinham caindo há um ano, e cada vez mais rápido. Recuaram 17% no último trimestre de 2005 e absurdos 60%, no terceiro de 2006. Que descansem em paz!
Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição – Uso Não Comercial – Não a obras derivadas 2.0
Tudo pela nossa atenção – parte 1
January 10, 2007 on 3:25 pm | In ces, g1, mercado, midia, wnews | No CommentsÉ impressionante a quantidade de brindes que recebemos numa feira de tecnologia – principalmente se você está usando uma credencial de jornalista. Quando o evento em questão é um dos maiores do mundo, como é o caso do Consumer Electronics Show, o volume de presentinhos – assim como sua variedade – são igualmente enormes.
De coisas inúteis, como uma máscara com orelhas de coelho da Energizer, até verdadeiros presentes, como MP3 players e pendrives, passando por muitas e muitas canetas e bloquinhos – ganha-se de tudo nesses eventos. Tanto que, de uns tempos para cá, o brinde mais comum passou a ser a sacola – de pano ou papelão – para carregar o resto das tralhas. Até baralho e camisinha deram ontem… bastante apropriado para Las Vegas, conhecida por aqui como “A Cidade do Pecado”.
Melhor do que escrever sobre o festival de agrados, no entanto, é mostrá-los. Na foto abaixo, tirada segunda à noite, estão todos os brindes recolhidos nos dois primeiros dias da feira, em especial nos eventos paralelos que acontecem à noite, logo depois das últimas palestras de cada dia. E olha que deixamos passar bastante coisa!
Post originalmente publicado no .BR, o blog de Tecnologia do G1
A despedida de Bill Gates
January 8, 2007 on 3:29 pm | In Uncategorized, ces, g1, mercado | No CommentsO Consumer Electronics Show só começa pra valer amanhã, mas o evento mais concorrido foi hoje: a apresentação “pre-show do todo-poderoso da Microsoft. Até os jornalistas, que normalmente têm entrada garantida, precisaram chegar ao local da palestra com mais de três horas de antecedência para pegar seus ingressos. Se este tiver mesmo sido o último “keynote” de Bill Gates no CES, valeu o esforço…
Post originalmente publicado no .BR, o blog de Tecnologia do G1
Por que eu odeio o Submarino, a Americanas e o Shoptime
December 31, 2006 on 11:44 am | In colunas, consumidor, forumpcs, mercado, pressdelete | 1 CommentEm agosto de 2005, a Americanas.com anunciou a compra do Shoptime por R$ 126,7 milhões. Em novembro deste ano, decidiu adquirir também o arquirival Submarino, numa operação tratada como fusão das duas empresas. O resultado é um gigante do comércio eletrônico com faturamento anual de R$ 1,6 bilhões, um terço do que movimenta o e-commerce brasileiro. Péssima notícia para nós, consumidores.
Quer saber por quê? Em resumo, porque assim vamos ficando sem opções quando nos decepcionamos com o atendimento de um site, já que acabam sendo todos do mesmo dono e todos igualmente incapazes de tratar bem seus clientes. Vou contar algumas historinhas aqui e convido os colegas do Fórum a contarem as suas também, lá na área dos comentários (update: acabei de ver, nos “assuntos relacionados”, que já há várias reclamações deste tipo aqui no Fórum. Vamos fazê-las ecoar?).
Quem tiver blog ou site pessoal, aproveite para escrever sobre isso e linkar para as outras “histórias de terror”. Lá fora já são famosos os casos de “revoltas” de blogs e comunidades online como a nossa que fizeram empresas maiores que as que citamos aqui reverem suas políticas ou pelo menos sofrerem grandes prejuízos. Quem sabe, se conseguirmos dar visibilidade a esses “casos de descaso”, alguém não toma alguma providência?
Shoptime e Americanas deixam vovó sem presente
Em meados deste mês, minha namorada comprou um presente para sua avó na Americanas.com. O prazo de entrega era de dois dias úteis. No terceiro, ela recebeu não a encomenda, mas um e-mail avisando que “talvez” houvesse um atraso na entrega. Preocupada com a chegada do Natal, ela cancelou o pedido e encomendou o mesmo produto no Shoptime, onde ele tinha “entrega garantida” até a data.
De fato, chegou a tempo, na antevéspera do aniversário de Jesus… mas na cor errada. Uma diferença sutil: era para ser branco, mas veio preto. Ao reclamar, ela ainda teve que ouvir da atendente que era impossível ter comprado a versão branca, pois ela não estava disponível (embora fosse isso que constasse na nota fiscal e no site). Os errados somos sempre nós, consumidores, né?
Acabou que ela deve conseguir trocar, mas terá que esperar dez dias úteis para a retirada do produto errado e outros dez, pela entrega do certo. E pensar que, quando encomendamos algo da Amazon.com e a entrega atrasa muito, por culpa do nosso correio ou da alfândega, a loja virtual americana envia novamente, de graça. Coisa de primeiro mundo.
A incompetência do atendimento do Submarino
Até recentemente, eu achava que o Submarino era a exceção à regra do mau-atendimento. Pelo menos ele não estava entre as dez empresas que mais foram alvo de reclamações na seção de defesa do consumidor do jornal O Globo, onde figuram suas irmãs Americanas.com e Shoptime. Fui descobrir que a nau do e-commerce também merece naufragar da pior forma…
No dia 7 de dezembro decidi comprar uma TV de LCD Samsung que vinha com um gravador de DVD de brinde e muitas milhas Smiles. Recebi a confirmação do Submarino imediatamente, mas devido a um problema com a liberação do limite do meu cartão de crédito (cuja fatura havia sido paga naquela data), o produto só pode ser debitado no dia seguinte, uma sexta-feira.
O prazo de entrega era de três dias úteis, então eu esperava recebê-lo no dia 13, quarta da semana seguinte. Como isso não aconteceu, entrei no site da loja virtual para ver o status do pedido e, por acaso, notei que o preço do produto fora reduzido em R$ 200. Ora, se o preço diminuiu antes mesmo da entrega, que ainda por cima aconteceu fora do prazo (a TV chegou na quinta e teve que passar o dia na garagem, já que não havia ninguém em casa para receber), achei justo ter a diferença reembolsada.
No dia seguinte ao recebimento da TV, enviei dois emails ao Submarino: um pedindo para verificar se o meu número Smiles fora recebido corretamente, já que o site apresentou um erro logo após eu tê-lo informado, e outro falando da redução de preço e solicitando o crédito dos R$ 200. Recebi duas respostas automáticas que prometiam a resposta de verdade em até um dia útil.
No dia 16, chegou à minha caixa postal um só e-mail do Submarino, avisando que o crédito das milhas aconteceria em 30 dias. Sobre o reembolso, não responderam nada. Esperei passar o fim-de-semana para ver se chegava algum e-mail e na terça-feira, dia 19, enviei outra mensagem para lá, igualmente respondida por um e-mail automático que prometia resposta em um dia útil.
Os prazos só valem contra o consumidor
As datas podem parecer preciocismo meu, mas são fundamentais para entender minha indignação. Sei que loja nenhuma tem obrigação de reembolsar diferenças de preço, mas sei também que o Código de Defesa do Consumidor nos dá o direito de nos arrependermos de uma compra realizada fora do estabelecimento (via telefone, correio ou internet) em até sete dias e receber o dinheiro de volta.
Foi isso que argumentei em meus e-mails ao Submarino: se não me devolvessem a diferença, eu poderia simplesmente devolver o produto e comprá-lo novamente pelo preço menor, o que seria muito mais trabalhoso para mim e custoso para eles. O dia em que enviei o segundo e-mail era a véspera do fim deste prazo e, como a esta altura a TV já havia baixado de preço novamente, ficando R$ 600 mais barata que o que eu paguei, eu realmente estava disposto a devolvê-la e comprar de novo.
A única resposta que recebi foi uma mensagem padrão informando os procedimentos de trocas e devoluções. Retruquei no mesmo dia, explicando que não era isso que eu estava perguntando e explicando o caso todo novamente. O problema é que, mais uma vez, o prazo de um dia útil se passou sem que eu recebesse resposta do Submarino. Resultado: quando tentei realizar o procedimento de devolução, meus 7 dias úteis já se haviam esgotado!
No dia 21, enviei outro e-mail citando a mensagem do dia 19 e pedindo que estornassem a diferença ou autorizassem a devolução fora do prazo, já que ele só se havia esgotado porque eles não responderam meus e-mails como prometiam. Recebi outra resposta semi-automática, agora dizendo que precisavam do número do meu pedido para saber do que eu estava falando. Quer dizer que um site como o Submarino não consegue saber quais os meus últimos pedidos pelo meu endereço de e-mail? Ou pela mensagem deles que eu estava respondendo e que continuava citada no pé do e-mail?
Anyway… enviei o maldito número do pedido no mesmo dia 21 e recebi a resposta no dia 24, véspera de natal, dois dias depois do prazo que eles mesmos se dão para responder. Mas não era nenhum presente de Natal… apenas outra resposta semi-automática explicando os procedimentos de troca. Daquelas que o imbecil do telemarketing escolhe da mesma listas que podemos acessar na área de atendimento do site.
Todos idiotas. Os que nos atendem e nós, que continuamos comprando
Imbecil? Pois é, não sou de chamar ninguém assim. Quem me conhece sabe o quanto eu sou tranquilo e custo a me irritar. Mas aquilo tudo me tirou do sério. Escrevi outro e-mail ao Submarino, desta vez “soltando o verbo” contra o serviço de atendimento deles. Expliquei que era a terceira vez que respondiam os meus e-mails (sem contar as respostas automáticas) e não abordavam a questão que me fizera escrever. Peguei pesado mesmo… e ameacei escrever uma coluna sobre o assunto.
Pois adivinhem só? Soltar os cachorros aparentemente teve algum efeito: no dia 27, outra pessoa do Submarino respondeu minha mensagem mostrando que efetivamente tinha lido o que eu escrevi. Explicou que o sistema deles não permitia o estorno da diferença de preço, mas que eu poderia devolver o produto, receber um vale e realizar a compra novamente. E que iria encaminhar meu caso ao setor de trocas e devoluções. Papai Noel chegou atrasado? Comecei a acreditar que sim!
Quem dera… no dia 28, o tal setor de devoluções me enviou um e-mail explicando que analisou meu caso e que, como o pedido fora recebido dia 14, o prazo de devolução estava esgotado. Respondi indignado, dizendo que o meu prazo se esgotou porque o atendimento deles foi incompetente e não respondeu direito aos meus primeiros e-mails, além de ter descumprido todos os prazos que deu, da entrega do produto à resposta das mensagens. Prazo não podia ser argumento para nada, podia?
Não sei qual será o próximo capítulo desta história ou se ela terá final feliz ou triste, mas prometo contá-lo aqui. Provavelmente, com todos os e-mails deles documentados, se eu buscar meus direitos na Justiça, num desses Juizados Especiais (ex-Pequenas Causas), ganharei a causa e, quem sabe, até uma indenização por danos morais. O problema é que, para fazer isso, terei que gastar dinheiro com advogado ou, na melhor das hipóteses, um tempo que eu não tenho.
Se você não quer sofrer tudo isso, melhor passar longe desses nossos expoentes (e agora monopolistas) do comércio eletrônico. Ou torcer para a Amazon vir logo para cá e comprar (ou, melhor ainda, levar à falência) esse bando de amadores…
Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição – Uso Não Comercial – Não a obras derivadas 2.0
Linux é motivo para a Abes criticar o Computador para Todos?
November 23, 2006 on 6:03 pm | In colunas, forumpcs, hardware, mercado, opensource | No CommentsA Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes) divulgou esta semana o resultado de um estudo da Ipsos Public Affairs sobre o programa “Computador Para Todos” que apontaria “indícios de pirataria” como conseqüência do projeto governamental. A Abes quer usar os números da pesquisa como argumento para convencer o Governo a repensar o programa, mas é tudo uma questão de ponto de vista.
Segundo o estudo, 47% dos compradores dos “PCs populares” movidos a Linux trocaram o sistema operacional sem pagar – os tais “indícios de pirataria”. Eu fui um deles. Há cerca de um ano comprei para a minha namorada um Preview beneficiado pelos incentivos do “Computador para Todos”. Na época, publiquei um teste sobre ele em que relato minhas impressões sobre a máquina e a economia proporcionada pelo programa: R$ 159 da isenção fiscal e R$ 225 do sistema operacional.
Depois de uma semana convivendo com o Linux – bem menos que a média de 31 dias observada no estudo da Abes -, reformatamos a máquina e tascamo-lhe o bom e velho Windows XP. Original. O mesmo que usava no meu penúltimo desktop, desmontado e vendido aos pedaços quando comprei outro. Como o novo veio com o XP “de fábrica”, também original, eu tinha uma licença “sobrando”.
Os consumidores revelaram ter gasto, em média, R$ 137 com a “compra e instalação” do novo sistema operacional, sendo uma média de R$ 50 ao técnico e R$ 88 pelo sistema, o que, para a Abes, seria mais uma “forte evidência de uso de cópias ilegais”. Não necessariamente! Eu não gastei nada, mas se não soubesse realizar o procedimento sozinho e tivesse contratado um técnico, teria gasto os tais R$ 50 com o serviço.
Digamos que um Fulano qualquer tenha comprado o XP original para fazer a migração e pago os R$ 200 que costumam cobrar no Mercado Livre. Juntos, teríamos gasto R$ 250. Dá uma média de R$ 125 com “compra e instalação”, bem próximo do valor obtido na pesquisa. E ninguém cometeu pirataria.
PCs viram sucata. Licenças, não necessariamente
Como eu, muita gente pode ter licenças de Windows sobrando de computadores sucateados ou intencionalmente migrados para outros sistemas (ainda mais se foram obrigados a comprá-los com Windows). São essas licenças que muitas vezes vão parar nos sites de leilão a R$ 90 (Windows 98 ) e R$ 200 (XP), bem menos que os R$ 400 que a Abes considera “valor de mercado” (lembra que o Preview poderia ter vindo com Windows por R$ 225 a mais?).
O valor da média, que a Abes diz estar “abaixo do preço de mercado do Windows”, realmente é estranho. Mas é a velha história de que se eu como dois frangos e você, nenhum, ambos comemos, “em média”, um frango. Como você tem que ser muito trouxa para pagar mais de cem reais por um programa pirata vendido a R$ 10 em qualquer esquina, é óbvio que muita gente comprou cópias originais, ou a média não seria tão alta.
Muitos dos migrantes realmente instalaram cópias ilegais, mas achar que o programa como um todo prejudicou a indústria de software é uma forçação de barra tão grande quando dizer que se existem X milhões de programas piratas as softwarehouses tiveram um prejuízo de X milhões de vezes o preço de cada cópia. Como se o pirata fosse comprar tudo o que copiou se não o tivesse feito…
A pesquisa da Abes também mostrou que 70% dos entrevistados eram das classes C e D e 86% se valeram do programa para adquirir seu primeiro computador. Quanto vale para as empresas de software esse crescimento do mercado? E para o Brasil? Vale tanto que a primeira conclusão da pesquisa foi que o programa tem atingido seus objetivos gerais. Pena que isso não tenha recebido o menor destaque no press-release da Abes, mais interessada em reclamar da pirataria do que em comemorar o sucesso do “Computador para Todos”.
Quem cerceou a liberdade de escolha primeiro?
Melhor ainda é a declaração do presidente da entidade, Jorge Sukarie: “A ABES, em diversas oportunidades, já havia se manifestado no sentido de que a oferta de uma solução única, cerceando a liberdade de escolha do sistema operacional por parte do usuário do programa “Computador para Todos”, acabaria induzindo e estimulando o consumidor ao grave crime de pirataria de software…”
Será que Sukarie lembra que a Microsoft foi processada por obrigar integradores de PCs a comprar uma licença do Windows para cada computador que vendessem, efetivamente impedindo a popularização de sistemas operacionais alternativos? Por que será que ele não levantou a bandeira da “liberdade de escolha” naquela época? A mentalidade deve ser uma paródia do que Henry Ford dizia sobre a cor dos automóveis: você pode ter a escolha que quiser de sistema operacional, desde que seja o Windows. Ou vai dizer que Sukarie não sabia das práticas comerciais da Microsoft?
Claro que sabia… vejam este outro depoimento dele, que antes de presidir a Abes, já era presidente da Brasoftware, publicado no site oficial da Microsoft: “A Brasoftware é parceira da Microsoft desde o final dos anos 80. Mesmo antes de a empresa se estabelecer no Brasil (1989), a gente já vendia produtos da Microsoft.” Bons tempos aqueles do monopólio, né?
A ironia disso tudo é que, em minha humilde opinião, a maior preocupação da Microsoft nem deveria ser a pirataria doméstica de seu sistema operacional (que, como sabemos, estimula seu uso nas empresas), mas o fato de “apenas” 73% dos compradores dos “Computadores para Todos” terem trocado de sistema. Se o Governo conseguiu colocar micros mais baratos ao alcance da população e ainda por cima fazer 27% desses consumidores adotarem o Linux, merece ser aplaudido de pé!
Em tempo: eu não uso Linux, embora reconheça que deveria fazê-lo, mas sempre que posso tento fazer minha parte na divulgação do software livre. Minha última ação nesse sentido foi comprar uma camiseta com a estampa abaixo. Legal, né? Bill Gates não deve achar.

Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição – Uso Não Comercial – Não a obras derivadas 2.0
Quem tem MP3 player gosta de eletrônicos (e liquidificador)
November 20, 2006 on 6:05 pm | In Uncategorized, colunas, forumpcs, gadgets, mercado | No CommentsUpdate: como o assunto liquidificador estava rendendo mais comentários do que a pesquisa, decidi atualizar o título da coluna para torná-lo mais descritivo.
Semana passada recebi um press-release com o resultado de uma pesquisa da comScore que revela o óbvio: pessoas que possuem MP3 players têm maior propensão a comprar outros gadgets eletrônicos e são, portatanto, o público ideal para campanhas publicitárias de fabricantes desses equipamentos. Descobriram a pólvora, né?
Este que vos escreve, consumista voraz de tudo o que tem a ver com tecnologia, já teve dois MP3 players e se desfez deles porque não gostava o suficiente de música para justificar o investimento, mas já usou muito um PDA e atualmente usa o PSP como tal, o que deve ser suficiente para inclui-lo no universo da pesquisa. Uma coisa é certa: sou muito mais propenso a comprar qualquer coisa eletrônica do que o internauta médio.
Para se ter uma idéia, meu último sonho de consumo, descoberto no YouTube, é nada mais, nada menos que um liquidificador! Não um Brastemp qualquer, mas “o” liquidificador: o Total Blend, da Blendtec. Esta belezinha de 1500 watts já foi demonstrada moendo canetas, bolinhas de gude, de golfe e até um cabo de ancinho!
Mas serve para liquidificar comida, também: as demonstrações incluem um frango inteiro, uma lata de Coca Cola (inclusive a lata) e uma McRefeição completa. Não, eu não usaria o liquidificador de US$ 400 para nada disso, mas só o fato dele transformar gelo em neve já me convenceu! Daria para voltar a tomar Frapuccinos antes mesmo de o Starbucks chegar ao Rio! Ou será que a primeira coisa que eu deveria fazer é moer meus cartões de crédito para evitar novas compras desnecessárias?
Mas, voltando ao estudo da comScore: por trás do título idiota ele esconde alguns números interessantes. Segundo o relatório, 27% dos internautas têm pelo menos um MP3 player. A maioria (53%) são homens e mais de um terço (37%) têm entre 18 e 34 anos. Esse público adora consumir online: quase metade (49%) consideram a web a forma mais fácil de fazer compras e praticamente todos (94%) o fizeram nos últimos seis meses.
Em relação à tal propensão às novas aquisições, donos de MP3 players são duas vezes mais (105%) inclinados a comprar consoles de games com conectividade de rede do que internautas “comuns”. Quando o objeto de consumo é um PDA, a relação cai para ainda relevantes 89%, à frente dos 85% dos videogames portáteis, 180% dos sistemas de rádio via satélite (inexistentes no Brasil) e 72%, dos gravadores digitais de vídeo (PVRs). TVs de plasma e LCD, digitais e de alta definição, bem como sistemas de home-theater, giram em torno dos 50%. Câmeras digitais, sejam fotográficas ou de vídeo ficam na casa dos 35%.
E já que falamos em televisão, os donos de MP3 players assistem menos TV (e ouvem bem menos rádio) que os internautas em geral, mas são bem mais participativos: 50% mais propensos a frequentar uma sala de chat sobre um programa de TV, 49% mais inclinados a acessar um site sobre o programa, 33% mais interessados em buscar horários e críticas e 12% a enviar e-mails ou mensagens instantâneas sobre o programa. A probabilidade de pesquisarem na web produtos exibidos num programa ou anúncio de TV é 50% maior. A de comprarem, 17%.
Os resultados mais curiosos da pesquisa, porém, são os que revelam os hábitos de leitura dos proprietários de MP3 players. Eles lêem jornais como a média dos internautas, mas assinam muito mais revistas. E duvido que alguém adivinhe quais eles mais lêem em relação à média dos internautas! Bom, a número um da lista é a adolescente Seventeen (113%), seguida de perto pela sisuada The Economist (109%) e pela esperada Rolling Stone (108%). No fim do “top 10″, outro contraste: Vanity Fair, em 9º (71%) e Forbes, em 10º (70%). Vá entender…
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Insatisfação com as pesquisas de satisfação
October 13, 2006 on 6:35 pm | In colunas, consumidor, forumpcs, mercado | No CommentsPeríodo de eleições é sempre hora de alguém falar mal de pesquisas, não é? Mas, pelo menos aqui, o assunto não são as pesquisas eleitorais, e sim os levantamentos de satisfação que algumas grandes marcas do segmento de tecnologia gostam de fazer com seus clientes. Esta semana fomos “vítimas” de duas pesquisas tão peculiares que viraram assunto desta coluna.
O primeiro episódio começou com um banner da Samsung em um outro site. Interessado na TV de LCD anunciada, cliquei no dito cujo e fui parar no site da marca coreana. A TV estava lá, em todo o seu esplendor, mas sem menção ao preço ou aos contatos das lojas que oferecem o produto. A Samsung comprou minha atenção, converteu minha atenção em uma ação (o clique) e depois jogou fora o cliente em potencial.
Revoltado com o mau-uso da publicidade on-line, tratei de clicar no “não” da pesquisa de satisfação que perguntava, ao pé da página, se as informações ali encontradas me haviam sido úteis. Questionado se desejava enviar comentários, respondi que sim e fui levado à página abaixo, com um questionário de satisfação mais completo.
Estava eu respondendo cada um dos itens quando me deparei com a seguinte pergunta: “Visual e o designer do site são agradáveis?” DESIGNER? Como eu vou saber se a pessoa que desenhou o site é agradável? Será que eles estavam falando do DESIGN? Inacreditável! Tudo bem, é um detalhe que quem não fala inglês tem todo o direito de ignorar, mas nunca a área de comunicação da Samsung.
Acabei reclamando também dessa confusão entre design (o desenho do site) e designer (o profissional da área de design) no campo de comentários (sim, eu sou um consumidor chato). Hoje, ao voltar ao site para capturar a tela, vi que a página da TV ganhou um botão “onde comprar” que aponta para uma listagem de lojas do Buscapé. Muito bem! Mas a pergunta sobre o “designer” continua lá.
Quando achamos que não pode piorar…
A outra história da semana tem como protagonista a HP, que me enviou ontem um e-mail convidando a participar de uma pesquisa sobre o serviço de suporte de seus produtos. A empresa sempre demonstrou se preocupar muito com a opinião dos clientes, já que volta e meia abre um pop-up pedindo que avaliemos seu site enquanto estamos navegando. Como bom cliente chato, cliquei no link para responder à pesquisa.
Depois de escolher o idioma, dei de cara com a tela abaixo, com a mensagem “Clique no botão PRÓXIMO para continuar ou no botão VOLTAR para mudar o idioma.” Próximo? Voltar? Os botões só trazem setinhas para os lados. Ah, mas qualquer um sabe que, nas sociedades que escrevem da esquerda para a direita, a seta para a direita indica “próximo” e a para a esquerda, “anterior”, certo? Tudo bem. Por que diabos, então, colocaram o botão “próximo” do lado esquerdo da tela e o “voltar” do lado direito?
Segui em frente. Na próxima tela, precisei escolher qual tipo de produto HP eu possuo. Apesar de já ter testado uma infinidade de produtos da marca, acho que o único que eu registrei foi o meu notebook Compaq (momento de propaganda descarada: o mesmo notebook que está à venda lá nos classificados). Eu deveria marcar “Compaq Presario Notebook PC”, então. Mas qual dos dois? Repare, na tela abaixo, que justo o meu notebook aparece repetido na lista…
Depois de mais umas cinco telas de perguntinhas simples, cheguei à página de instruções da imagem abaixo. Ih… a pesquisa está ficando complexa. Dá vontade de desistir. Já que havia chegado até aqui, melhor continuar. Fiz uma leitura dinâmica das instruções e mandei continuar.
Aí está o porquê das instruções. Nas próximas 19 telas da pesquisa, que já são tão mal desenhadas que se tivessem chegado por e-mail eu diria tratar-se de um phishing mal feito, precisamos ler o conteúdo de 32 caixas de texto (por tela) para escolher quais seriam nossas primeira e segunda opções ideais de suporte.
Aguentei ler as da primeira tela, mas na segunda (acima) comecei a me sentir explorado. Não vou ler mais de 600 textos para melhorar o suporte da HP. Geralmente, quando uma grande empresa pede aos seus consumidores que respondam questionários tão extensos, pelo menos oferece um brinde ou a chance de concorrer a algum prêmio.
Sem nenhum incentivo, duvido que alguém responda seriamente a pesquisa inteira. Claro, eu poderia ter marcado qualquer coisa para acabar logo, mas minhas informações seriam menos valiosas para a HP do que se eu nem tivesse respondido nada. Acabei optando por responder o e-mail original – o que me convidou a participar da pesquisa – escrevendo mais ou menos o que acabei de dizer aqui.
Acho que assim terei sido mais útil à HP. Isso se a tal de Harris Interactive, uma multinacional especializada em pesquisa de mercado, com faturamento anual superior a US$ 200 milhões, contratada pela HP para fazer esta pesquisa, tiver designado pelo menos um de seus mil funcionários para responder os e-mails que recebe de nós, humildes ratinhos de laboratório. Se responderem, eu conto para vocês!
Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição – Uso Não Comercial – Não a obras derivadas 2.0
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