Tesla Roadster, supercarro elétrico com bateria de notebook
September 21, 2006 on 6:38 pm | In Uncategorized, colunas, energia, forumpcs | No CommentsNos comentários a respeito de minha última coluna, sobre o capacitor plástico que pode revolucionar as baterias dos equipamentos portáteis, o ilustre colega Intruder_A6 levantou a possibilidade dessa tecnologia finalmente viabilizar os carros elétricos. Este é, também, um dos objetivos dos capacitores nanotecnológicos desenvolvidos com dinheiro da Ford que eu mencionara em uma outra coluna.
Curiosamente, o carro elétrico mais promissor de que ouvi falar recentemente (sem contar os híbridos) não usa nenhuma tecnologia revolucionária. O vistoso Tesla Roadster das imagens abaixo, que chega às estradas dos Estados Unidos em 2008, armazena energia exclusivamente em células de íon de lítio modelo 18650 idênticas às usadas nas baterias dos nossos notebooks. Em 6.800 delas! Juntas, elas armazenam 50 kwh de energia e oferecem até 200 kw de potência, operando a 375 volts.

Segundo os engenheiros responsáveis pelo projeto, a estratégia foi usar componentes abundantes no mercado, tecnologicamente maduros e seguros, já que cada pilha individual armazena uma quantidade relativamente pequena de energia. O tamanho reduzido também ajudou a maximizar a superfície de contato da bateria, essencial para a refrigeração do conjunto.
Tesla Motors
A empresa por trás deste supercarro, uma “start-up” californiana fundada pelo criador do Paypal e parcialmente bancada pelos donos do Google e o ex-presidente do eBay, vem esbanjando racionalidade em suas decisões. O carrão será montado pela inglesa Lotus, usando uma versão modificada de um chassis da própria e a maioria das peças “emprestadas” de outros fabricantes. O que a Tesla, batizada em homenagem ao cientista sérvio que inventou o rádio e descobriu as vantagens da corrente alternada (AC), quer mesmo é se dedicar ao sistema de propulsão do carrão.
E que sistema! Repare, na imagem abaixo, em um cilindro entre as rodas traseiras do automóvel. Aquilo é o motor. Tem “o tamanho de uma melancia” e pesa pouco mais de 30 quilos, mas sua eficiência chega a 95% e, por ser elétrico, esbanja torque em qualquer rotação e só precisa de duas marchas. Sua potência atinge o máximo na casa das 8 mil RPM, mas o propulsor aguenta até 13 mil. O que significa isso em termos práticos? Ele vai de zero a cem km/h em quatro segundos e passa fácil dos 200 km/h.

E quanto à autonomia, velho problema dos automóveis elétricos? O Tesla Roadster aposta na eficiência do motor e no sistema de frenagem regenerativa – o mesmo que os híbridos como o Toyota Prius usam para carregar a bateria com a energia que seria perdida quando o carro desacelera – para esticar ao máximo a distância entre recargas, estimada em 400 km.
Podem não ser nenhuma maravilha, mas já bastam para a maioria dos passeios. E, como o “carregador de viagem” do veículo permite plugá-lo em qualquer tomada, não há risco de ficar a pé em nenhuma região habitada. A carga completa da bateria demora 4 horas, mas em menos da metade disso ela já tem energia suficiente para 160 km.
Com este desempenho, design assinado pela Lotus e um interior luxuoso, como vemos na foto abaixo, é de se imaginar que o Roadster custe uma pequena fortuna, certo? Mais ou menos. A etiqueta de preço de US$ 100 mil soa impensável para nós, mortais, mas é uma fração do que custam Ferraris e outros superesportivos com aceleração comparável (e sempre menor, já que o Tesla ganha até dos Lamborghini no quesito “aceleração”). Na verdade, o carro é considerado uma verdadeira pechincha – tanto que as cem unidades oferecidas para “pré-venda” já estão todas reservadas. Que pena…

Coluna originalmente publicada no Fórum PCs sob licença Creative Commons Atribuição – Uso Não Comercial – Não a obras derivadas 2.0
Campanha “Eu sei escrever” decola
June 8, 2005 on 1:34 pm | In Uncategorized | 3 CommentsO site ainda nem estava pronto quando o Bruno Parodi, do iBest, decidiu citar em sua coluna no No Mínimo a idéia que tivemos no Fórum PCs para incentivar a escrita correta na internet. Resultado: o blog da campanha virou a referência para todos que leram a notícia distribuída pela Agência Estado. Vamos ver no que vai dar…
Google vai dominar o mundo? Já dominou
June 7, 2005 on 6:26 pm | In Uncategorized | 2 CommentsO Google é a maior empresa de mídia do mundo, superando a Time Warner (sim, a velha AOL Time Waner) em valor no mercado de ações – atualmente em torno dos US$ 80 bilhões. Para quem dizia que o conteúdo era rei, ver uma empresa que não produz absolutamente nenhum crescer a esse ponto deve ser assustador. Outra bolha? Pode até ser, mas como vi em um blog sobre o mercado imobiliário americano, uma bolha só é uma bolha se ela estoura!
Atraso e Folksonomy no JB
June 6, 2005 on 9:10 pm | In Uncategorized | 1 CommentPrimeiro, peço desculpas pela demora em atualizar o blog. O fim da semana foi de muito trabalho e o fim de semana, de muita distância do computador. Mas não faltam novidades para discutir aqui, amanhã espero retomar o ritmo.
Por hoje, destaco a matéria sobre folksonomies que publiquei no caderno Internet do Jornal do Brasil e aproveito para agradecer à Suzana Gutierrez pela colaboração.
Jornais crescem no absoluto, perdem no relativo
June 1, 2005 on 7:51 pm | In Uncategorized | 2 CommentsNotícia da BBC sobre o Congresso Mundial de Editores, da Associação Mundial de Jornais (WAN), dá conta de que a circulação dos jornais impressos cresceu 2,1% (a população mundial cresce perto de 1,7% ao ano, então isso não quer dizer grande coisa) em 2004, milagre que não acontecia há anos. Foram 395 milhões de jornais vendidos por dia, sendo quase um quarto deles na China, que lidera o ranking com 93,5 milhões de exemplares/dia, seguida pela Índia (78,8 milhões), Japão (70,4 milhões), Estados Unidos (48,3 milhões) e Alemanha (22,1 milhões).
O diretor da WAN está comemorando e credita a “renascença” ao sucesso de novos produtos, formatos e abordagens e à melhora na distribuição e no marketing. Eu, pessoalmente, duvido. Não tive acesso aos percentuais de crescimento por país nem tenho os dados do ano passado para comparar, mas aposto que o crescimento tem a ver com a recuperação da economia e com o avanço da China. Também não olho os números do IVC há tempos, mas aposto que aqui no Brasil os jornais continuam perdendo circulação.
A WAN também festejou o crescimento da audiência dos sites dos jornais, de 32% em 2004 e de 350% nos últimos cinco anos, e fez alertas sobre o crescimento dos jornais gratuitos, sites noticiosos, blogs e outras fontes alternativas de informação. Ora, se os jornais cresceram 2% e seus sites, 32%, pode-se dizer que os jornais online estão tomando espaço (em termos relativos) dos impressos, não? O que dizer então dos sites independentes dos veículos tradicionais?
Aproveito o gancho para linkar para um polêmico post de Peter Shankman, do PR. Differently. Peter previu que no segundo semestre de 2007 um primeiro grande jornal irá morrer, vítima da convergência de blogs, podcasts e afins. Segundo ele, será alguém do porte de um NYT ou WSJ, que seria substituído por uma versão exclusivamente online ou em papel digital. Vamos esperar e ver…
Por que as empresas continuam ignorando a internet?
June 1, 2005 on 3:01 pm | In Uncategorized | No CommentsParece descrição de palavras cruzadas: marca de trancas de segurança que começa com K, tem dez letras e teve sua reputação destruída depois que um blogueiro publicou um vídeo mostrando como arrombar um de seus cadeados usando um objeto do cotidiano.
Quem acompanha o mundo dos blogs responderá sem pensar duas vezes: Kryptonite, fabricante das travas para bicicletas e motos que, em setembro passado, perdeu US$ 10 milhões em dez dias, segundo matérias publicadas na Fortune e na Business Week. Tudo porque a empresa ignorou a ameaça quando o blog profissional Engadget repercutiu um post de um blog sobre ciclismo com o link para um vídeo que mostrava que uma caneta Bic era capaz de abrir as travas da marca. A história foi parar no New York Times e na CNN e acabou provocando um recall que engoliu quase metade do faturamento anual da Kryptonite.
Mas a descrição que abre este texto também pode corresponder a uma outa história que veio à tona no meio do mês passado. A bola da vez é a Kensignton, fabricante de trancas para notebooks. O vídeo mostra um dos dispositivos de segurança sendo aberto com um pedaço de rolo de papel higiênico preso com fita adesiva. Já apareceu no Gizmodo e no Boeing Boeing, dois dos maiores blogs sobre tecnologia, junto com o Engadget, e até agora a empresa não se pronunciou.
Tudo isso faz parte do fenômeno que eu analisei na minha monografia do MBA: por que as empresas clipam jornais, revistas e TV mas ignoram a internet? O caso da Kryptonite só causou o estrago que causou porque chegou à mídia tradicional (e só chegou lá porque era uma falha grave), mas e quanto ao prejuízo que informações menos bombásticas causam enquanto estão restritas aos sites e blogs, especialmente os especializados em determinado assunto, cheios de formadores de opinião? No Fórum PCs, um dos sites com os quais colaboro, já vimos pequenas lojas de informática falirem depois que clientes insatisfeitos começaram a relatar seus problemas online sem receber resposta.
A palavra-chave aqui é “resposta”. A história da Kensington pode até ser mentira – eu, pelo menos, não tenho uma tranca daquelas para checar – mas ainda assim mereceria uma resposta. A empresa precisa mostrar que está ouvindo, que se preocupa. É nisto que a internet em geral, e os blogs especificamente, são diferentes das mídias tradicionais. Blogs são uma conversa, e ninguém gosta de ficar falando sozinho. Será que a Kensignton não aprendeu nada com o caso da Kryptonite?
Agregador de RSS em português
June 1, 2005 on 1:46 pm | In Uncategorized | No CommentsO simpático comentário de Georgia Lima, que não deixou um e-mail para a resposta, perguntou sobre agregadores em português. Georgia (e quem mais tiver essa mesma dúvida), eu recomendo o Bloglines mesmo, que tem uma versão traduzida.
Como o jornalismo brasileiro absorveu a internet
May 31, 2005 on 10:18 am | In Uncategorized | 2 CommentsÓtimo artigo da amiga Nara Franco sobre blogs e jornalismo
RSS (e eu) no Estadão
May 30, 2005 on 11:30 am | In Uncategorized | 1 Comment
Foto de Fabio Motta, da Agência Estado, tirada para ilustrar meu depoimento sobre RSS na extensa matéria sobre o assunto publicada no caderno Link do Estadão de hoje.
Update: só agora consegui o link direto para a matéria;
Rede de confiança
May 26, 2005 on 7:24 pm | In Uncategorized | 1 CommentSempre que falamos sobre a influência dos blogs alguém questiona a confiabilidade das informações por eles divulgadas. De fato, é muito mais fácil escrever uma mentira em um blog do que em um jornal – entre outros motivos, porque seu emprego não está diretamente em jogo. Mas os escândalos do NY Times mostraram que até no ex-jornal mais respeitado do mundo é possível mentir. A diferença é que muita gente que acredita em tudo o que lê nos jornais não é tão crédula em relação à internet, embora já exista também uma grande parcela da população que confie mais em seus pares (cuja forma de expressão pode ser um blog) do que na imprensa, como vimos no estudo Trust MEdia, da Edelman.
Em uma edição recente do For Immediate Release, Hobson e Holtz (nunca lembro quem falou o quê) discutiram a aplicação do fenômeno The Long Tail aos blogs e concluiram que um blog não precisa ter milhares de leitores para ser influentes. Bastariam uns dez internautas capazes de replicar aquela informação – seja em outros blogs, seja no “mundo real” – para ela começar a se alastrar. Isso vale também para a confiança: eu não preciso que a internet como um todo acredite no que eu escrevo, mas se uma ou outra pessoa que confia em mim comentar o que eu escrevi em seu blog, quem confia nela passará a acreditar na notícia também, e assim sucessivamente – esta não é uma das características das redes sociais?
Vale às avessas também: se você chegou aqui agora e não tem a menor idéia de quem eu sou, mas viu o link para o estudo da Edelman ali em cima e sabe que eles são referência na área da comunicação online, blogs, PR etc, acaba transferindo parte dessa reputação para mim. Não que qualquer um não pudesse citar uma fonte respeitável, mas o fato de a internet permitir que cliquemos nos links para verificar a veracidade da informação original certamente ajuda. E olhe que ainda nem citamos os sistemas automatizados de reputação, como o que move o Slashdot ou o que deveria existir em qualquer site de avaliações de produtos e serviços – assunto para um outro post.
Por fim, fugindo um pouco do assunto, lembro uma prática muito comum nas escolas americanas – pelo menos na região onde minha tia mora, no estado de Nova Iorque: no início do ano os pais montam uma rede de comunicação em estilo “pirâmide”, usada para difundir informações para a escola toda rapidamente – em caso de suspensão das aulas por causa de uma nevasca, por exemplo. A escola avisa o pai do topo da pirâmide, que fica responsável por avisar outros dois, que entram em contato com mais quatro e assim por diante. Assim, cada pai só tem que dar dois telefonemas e logo a escola toda está avisada. A confiança nos blogs funciona mais ou menos assim: ninguém precisa confiar em toda a blogosfera, mas existe uma rede implícita que valida (ou não) as informações à medida em que se disseminam.
Powered by WordPress with Pool theme design by Borja Fernandez.
Entries and comments feeds.
Valid XHTML and CSS. ^Top^